Revolução ou golpe?!!
Redação DM
Publicado em 16 de abril de 2016 às 02:19 | Atualizado há 10 anosHoje é um dia em que todos nós devemos refletir: o dia que o general Mourão partiu com suas tropas para o Rio de Janeiro e o presidente Jango deu uma contraordem ao general Amaury, do 2ª Exército, que exigiu uma carta dele, do presidente, dizendo à nação que de fato era um “democrata”. O presidente João Goulart se negou. Na verdade, Jango, depois disso, partiu para o Rio Grande do Sul.
O presidente do Congresso Nacional, medroso, o senhor Auro de Moura Andrade, declarou a vacância do cargo. Em outras palavras, se houve ‘golpe’ quem deu o ‘golpe’ naquele momento foi o Congresso Nacional. Pois, naquele dia, só o deputado por Minas Gerais, Tancredo Neves, reagiu veementemente, mas já não adiantava mais. Era tempo da guerra fria e os EUA instalavam governos ditatoriais, contra o comunismo da URSS.
Com o ‘golpe’, assumiu o presidente da Câmara, que depois ‘votaram’ indiretamente para que o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco ficasse no seu lugar. Ele prometeu eleições o mais rápido possível. Brizola e Darcy Ribeiro ainda tentaram alguma coisa, porém o povo queria o Exército nas ruas e nos palácios. A OAB e até o grande Ulisses Guimarães foram favoráveis.
A situação durou 21 anos. O exilados voltaram assumiram o poder. Hoje nossa Dilma é uma ex-guerrilheira e todos foram anistiados pela abertura do general João Batista Figueiredo, que bateu no peito e disse: ei de fazer do nosso Brasil uma democracia. E cumpriu: foram 21 anos de lutas, houve baixas de todos os lados. Mas o que mais me intriga é o seguinte: quantos Mauro Borges foram calados?
Com a queda do Muro de Berlim e o desmancho da URSS ficou o encanto de que estávamos certos. De aceitarmos os governos militares. Eu digo sempre: usaram os militares, a mesma elite, que desde a queda da bastilha, vem determinando onde derrubar governos constitucionalmente constituídos pelo sufrágio universal.
Porquanto meus conterrâneos e conterrâneas goianos e brasileiros, não se tem jeito possível de mensurar o mal que isso fez ao nosso povo. Me incluo nessa análise: eu era um garotinho de 7 anos, sou filho desta revolução? Ou do golpe? Eis a questão.
O problema é que sumiram com os projetos de Darcy Ribeiro, de Paulo Freire, e, hoje, com os exilados anistiados e exercendo o poder, não temos saúde, não temos educação e não temos segurança. O que é pior: os milicos, o qual eu servi o Exército, e, não vi nada que comprometesse a sua honra ou os exilados, que voltaram assumiram e formaram ‘quadrilhas de mensaleiros e mensaleiras’ e tantos outros?
Uma coisa ninguém nos dará de volta: o tempo. Sou filho de uma geração quase perdida, mas sou um sobrevivente e estou na luta por dias melhores e com liberdade. Assim é a estrada da história. Demos muitos passos para atrás e sempre daremos quando votarmos errado. Cabe agora a nós e as futuras gerações buscarmos o tempo perdido, parar de satanizar o passado, e, sim aprender com ele a edificar um futuro melhor para o nosso Brasil. Avo Hay.
(Wagão Camargo é suplente de deputado estadual, empresário e líder político da região de Jaraguá)