Rir é o melhor remédio. Mas…
Redação DM
Publicado em 13 de janeiro de 2018 às 21:38 | Atualizado há 9 anos
Rir é o melhor remédio, com a vantagem de ser de graça. A lembrança desse provérbio da sabedoria popular é motivada pelo transcurso do Dia Internacional do Riso que transcorre no próximo 18 de janeiro.
A própria ciência reconhece diversos benefícios motivados por uma boa (e sadia) risada, dentre os quais estão a melhoria da qualidade de sono, da circulação sanguínea, da respiração, da digestão; a redução do stress e até mesmo do fortalecimento do sistema imunológico, dentre outros.
Mas pessoalmente penso que esses benefícios são acentuados quando o riso é circunstanciado pela alegria que surge como que de graça nos momentos felizes, nos acontecimentos gratificantes, nas conquistas e reconquistas. É a conquista de um emprego muito sonhado, de um coração… É a reconquista da saúde, de um bom nome… Coisas assim. Nenhuma dúvida sobre isso, penso.
À vista dessa realidade, uma pergunta: só assim se pode ser alegre? Não há como vibrar de alegria com as coisas já conquistadas ou reconquistadas?
É lógico que sim. É questão de saber, fazer e ser; é um aprendizado.
O escritor e pensador González Pecotche ensina que é por causa da ingratidão que a felicidade se mostra tão esquiva aos corações humanos. Um magnata tristíssimo dentro de palácios, um plebeu saturado de alegria dando voltas em torno de seu barraco recém-levantado… Isso existe, isso tem um grande significado quando se fala de risos, de gargalhadas e da alegria de viver; é uma lição que nos diz respeito a todos.
Ponha-se alguém em sintonia com as ondas de ventura que neste preciso momento o cercam: a da saúde, a dos afetos, a dos bens de toda a natureza, a de viver a fantástica aventura da vida, as tantas outras… A simples ativação da atenção nesse particular já influi na postura interna, predispondo à alegria. É como se sintonizássemos a gratidão na rádio da consciência.
E por que não estar sempre assim, sintonizado nessas ondas tão boas e tão nossas? Falta aprendizado. Não se presta atenção ao que se possui. A felicidade experimentada de início, na hora da conquista ou reconquista desse ou daquele valor, já não tem força dentro do ser. A insatisfação é profunda e a chama da vida depende da próxima ilusão, da próxima ambição, da próxima posse. O pouco de contentamento que fica depende sempre do esperar pela festa. Quando a festa chega e acaba, o fantasma da ingratidão invade a alma e a alegria bate a porta e se vai.
Mas subamos de degrau e falemos agora da alegria que surge de motivos superiores. Esta já depende do cultivo de uma nova geração de conhecimentos: conhecimentos sobre a vida psicológica e moral, sobre evolução e conhecimento de si mesmo, sobre a vida espiritual e o mundo mental da Criação, sobre as Leis do Universo e o Criador…
Quem isso realize seguramente passa a ver todas as coisas com outros olhos. Aprende a encontrar nos dons permanentes do espírito a felicidade que, em vão, o homem sempre buscou por todas as partes. Aprende a também amar as coisas que não morrem, que se ligam ao tempo eterno, que dão à vida um conteúdo, livrando-a do horror do vazio, e que engrandecem o ser perante si mesmo, perante o mundo e perante Deus.
É, mais uma vez, uma questão de aprendizado, de aperfeiçoamento, de cultivo das flores do espírito. Diríamos melhor: uma questão de processo de evolução consciente.
(Dalmy Gama, escritor, professor, docente de Logosofia)