Brasil

Roupa suja não se lava em público

Redação DM

Publicado em 8 de abril de 2017 às 02:36 | Atualizado há 9 anos

O escândalo recente, batizado de “carne fraca”, prejudicou e continuará prejudicando por algum tempo, tanto as exportações de carnes e derivados, como os produtores rurais, no caso pecuaristas, nestes os pequenos criadores, granjeiros. Episódio doloroso para a nação, ora tentando ajustar suas contas, o badalado ajuste fiscal, equilíbrio de receitas e despesas. O agronegócio, vem sendo ao longo dos anos, carro chefe na internalização de divisas, divisas necessárias ao mencionado equilíbrio das contas. O serviço de inspeção de produtos de origem animal, vegetal, conquistou notoriedade, além do mais, respeito, pela sua qualidade, lisura, ao longo de muitas décadas, de ordem tal que, seu selo projetou, tanto no mercado interno, como no externo, confiança no comércio nacional e mundial.

De repente, por descuido, falha, cochilo do próprio governo, na fiscalização dos que são contratados e pagos para assegurar idoneidade aqui e lá fora, ameaça, como furacão, a desmoralizar nosso selo (SIF) de qualidade. A instituição, no caso, o serviço de inspeção é constituído por pessoas especializadas, formadas e capacitadas para a tarefa melindrosa de não colocar sal em carne podre. Incrível, o controle falhou, o mal aconteceu. O caso escancara a falha comum de todo ser humano, o homem é conduzido, (Kant) muito mais pela sua ambição, melhor ainda, paixão, do que pela sua razão. De forma que, o técnico de inspeção, assiste, diuturnamente, a corrupção endêmica, ora, creio epidêmica, nos municípios, estados e país, então, pensa consigo, e, confabula, com outros aconchegados: se estão surrupiando, em todas esferas, superfaturando o erário público, bobo da corte será eu, você, não aproveitando, também, do hábito vergonhoso, em voga, mamando nas tetas generosas do estado.

Por isto leitor, do mesmo modo, que o preço da liberdade é a eterna vigilância, o da transparência, honestidade na gestão pública, de igual forma, precisa de permanente vigilância. Além do mais, uma minoria mal gerida, descontrolada, pois, o chefe responsável pela vigilância não é escolhido, indicado por mérito, e, sim, contradizendo a boa norma administrativa, afilhado politiqueiro, membro de patota. Dessa forma, conivente com o chefete que o indicou, para a função, acaba prejudicando a imagem da grande maioria de técnicos da inspeção nacional, idônea, laboriosa, comprometida com os valores, boa conduta, na administração pública da nação. A esse respeito, convém rememorar que, nos primórdios da república, república Iluminista, perdida nas brumas do tempo, já havia grande preocupação com a degeneração dos costumes, na democracia nascente, agora, bem mais virulenta, em virtude da abismal falta de ética na política dos governantes.

Dessa forma, leitor, é proverbial rememorar a advertência do próprio filósofo mor do Iluminismo, Jean Jacques Rousseau, contra “esse mal terrível da corrupção” que faz do órgão da liberdade um “instrumento da servidão”, existem dois meios de atalhá-lo: a renovação frequente das assembléias, encurtando o mandato dos representantes, e a sua submissão às instruções de seus constituintes, qual seja, a sociedade que os contrata e paga, por meio dos impostos, seus proventos, despesas, portanto, devem, por dever de oficio, lhe prestar contas, contas de seus procedimentos. Assim como os representantes, lá do ápice do poder, os funcionários da inspeção deveriam ser bem controlados e submetidos a rodízios. Aquele que fiscaliza os demais tem que ser escolhido por mérito, e período determinado.

Outro abuso, de igual modo escabroso, é aquele que vem sendo praticado nos tribunais de contas, onde o governante tem o inusitado privilégio de nomear os conselheiros que irão julgar suas próprias contas, no plano nacional e estadual. Demais, esse episódio escandaloso, altamente pernicioso à imagem da nação, lesivo as suas finanças, deveria ser realizado em sigilo: “roupa suja não se lava em público, mas sim, em casa”, ela, nação, não tem culpa do que ocorreu, mas, os governantes têm. De forma que, subsidiada pelo MP, MAPA, PF, todavia, em absoluto segredo, deveria ter penalizado, na forma da lei, os maus, sem denegrir os bons servidores e empresas de processamento de produtos de origem animal idôneas. Como dito, os grandes prejudicados são: tanto o país, como os produtores rurais geradores da riqueza, o preço, na fonte produtora, que já se encontrava ruim, em baixa, por falta de pastagens, caíram mais ainda, facilitando sobremodo, a ação da intermediação gananciosa. De sorte que, os especuladores, que não geram nada, aproveitando o impacto negativo com queda abrupta de preço, serão os grandes beneficiários.

Isto se tornou, com o perpassar do tempo, processo voluptuoso de redistribuição de renda às avessas, ou seja, dos pequenos produtores, geradores da riqueza, para os sabichões, como vem acontecendo há décadas na produção leiteira, valor do substancioso alimento, sempre aviltado na fonte produtora. Ainda, sobre o desastrado episódio, é bom lembrar que as pastagens degradadas, no último ano, pelo aumento de temperatura, seca prolongada, provocaram queda de preço, do gado, caindo, mais ainda, com tal escândalo. Tivesse o governo adotado, ainda no ano passado, política legal de incentivo, financiando a formação de pastagens, pastagens destruídas pela degradação climática, como foi proposta e aprovada, em reunião nacional, realizada em São Paulo, estaria ele, nos próximos anos, faturando mais impostos, impostos que está a necessitar, afim de equilibrar as contas públicas. Renovar como decidido na reunião, 10 milhões de hectares de pastagens arruinadas, exige investimentos financeiros substanciais, mas estes investimentos gerariam crescimento econômico, um tanto desejado para desatolar o país.

Atoleiro econômico leitor, com PIB se arrastando, porquanto abaixo de zero, tudo por falta de vergonha na cara dos governantes petistas, e, agora também,

Temeristas, pois, PT e PMDB, eram carne e unha, qual seja, coligados, sim senhor, farinha do mesmo saco. O PSDB, embora não coligado, mamou, de igual forma, consoante delação premiada, nas tetas generosas da Petrobras. O que está ocorrendo, nos induz afirmar que, a política em marcha, marcha pecaminosa, porquanto suja, contra a sociedade, é inversa daquela concebida pelo sábio Aristóteles, autor do primeiro tratado político do mundo. De sorte que, solapando o lado ruim, errado da política, sobressai, cristalino, o lado bom, a operação Lava Jato leitor, irá fazer isto, mas precisa da participação solidária de todos patrícios, participe! Fazendo corrente e formando opinião.

Retomando o episódio da carne fraca, fosse à sociedade politizada pela escola, o mal não teria acontecido, tão pouco, no Petrolão, um tanto espantoso, não o espanto filosófico. Estaria ela vigilante, engajada, cutucando, dentro da ordem constituída, os responsáveis pela qualidade, assegurando, com maestria, o padrão adquirido, no processamento de produtos alimentícios, realizados pelos frigoríficos e empresas afins, projetando, no lugar de subtrair, ainda mais, a imagem do país mundo afora. No comercialização, bastante atenta, disciplinando e reduzindo a “Gula”’ abocanhada pela intermediação gananciosa.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-Go, produtor rural


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