Saudosa Seleção Brasileira do Futebol de outrora
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2016 às 02:44 | Atualizado há 10 anos
Tenho 76 anos, 50 deles dedicados ao jornalismo especializado em futebol. Nesses 50 anos de vivência no futebol, nunca imaginei que um dia fosse falar sobre o saudoso futebol que ficou no passado.
Conheci a Seleção Brasileira de Futebol aos 18 anos de idade, no ano de 1958. Na época, estreava na Seleção o jovem Pelé, com apenas 16 anos, considerado o maior fenômeno na prática e na teoria da história de todas as seleções e de todo o período em que esteve à frente dela.
Além de Pelé, na época a seleção brilhava também com jogadores como Vavá, Garricha, Nilton Santos, Belini, Djalma Santos, Tustão, Jairzinho e outros tantos. Eram tantos craques que poderíamos formar de três a quatro seleções brasileiras e somente elas conseguiriam tomar do Brasil o título de 70. Vale ressaltar que infelizmente muitos desses jogadores nem convocados foram.
De uns anos pra cá, após Felipão em 2002, a seleção teve como técnico o Dunga e foi possível notar certa dificuldade em decidir quem estaria fora e quem diria dentro nas convocações. Por incrível que pareça não encontro um bom nome de jogador. Hoje a seleção brasileira não tem no máximo três jogadores que seriam titulares nas seleções de 62, 70, 94 e 2002.
Mas já falei sobre esse assunto antes, a seleção brasileira paga caro pela decadência do futebol e nós torcedores brasileiros também pagamos para os chamados corruptos do futebol, da CBF, das Federações e da Fifa. A Federação Internacional de Futebol só teve os escândalos desvendados quando os Estados Unidos entraram no caso e fizeram valer a lei. Caso contrário, tudo estaria do mesmo jeito, porque quem nasce corrupto morre corrupto, quem mama nas tetas das federações, da CBF, da Fifa, da Conmebol e outras mais, não quer abrir mão do dinheiro por nada, só deixam quando morrem.
E a Seleção Brasileira também paga por esse desmando que a gente sabia que tinha, mas desconhecia o tamanho do rombo, não sabia que era tão grande como é o caso do Brasil hoje como o Petrolão e outras coisas.
Mas voltando à Seleção Brasileira e sua parte técnica, é possível encontrar um amontoado de jogadores, alguns garotos de futuro que jogam bem nos seus clubes, mas quando vestem a camisa da Seleção não jogam nem 50%. Isso é falta de personalidade!
E quando despontam alguns craques, que poderiam deixar o Brasil orgulhoso por ter bons nomes na Seleção Brasileira, que é o caso de Neymar, fazem valer o que costumo dizer: jogador quando ganha dinheiro, cresce a bunda, aumenta o peso, a mordomia, a cachaça e a boemia, pode ser o maior craque do mundo que não joga bola, o tempo dele é muito curto no futebol.
Todos nós sabemos disso, tenho experiência de sobra nesses 50 anos dedicados à crônica esportiva, quantos foram os craques que vivi, que olhei e aplaudi. A carreira desses jogadores foi por água abaixo, porque o sereno da noite e a cadeira do boteco, não deixaram que eles fizessem o que era mais precioso na vida: jogar futebol. Não adianta ser tecnicamente bom, se fisicamente no futebol de marca, de raça, de disposição, de truculência, de marcação, não tiver condicionamento físico. Nem Pelé jogaria com a realidade que vivemos no futebol e a decadência da Seleção Brasileira.
Antigamente, quando tinha jogo da seleção brasileira, poderia ser 4 horas da madrugada, ninguém dormia. No passado, o torcedor ia para a rua para discutir os próximos jogos da seleção brasileira, depois voltava para comentar o resultados, e na maioria das vezes para comemorar as conquistas. Hoje, se fizer uma pesquisa e perguntar ao torcedor brasileiro: “Que dia a seleção joga? Com quem ela vai jogar? Qual o principal jogador da seleção?”, nem 30% saberão responder, talvez só os profissionais do microfone.
Diante dessa realidade, a Seleção Brasileira do jeito que está, é decepcionante. Ainda pode se ter uma luz no fim do túnel com essa garotada que vai disputar as Olimpíadas. Talvez saia dessa garotada, pelo menos uns 8 jogadores, que têm condições de vestir a camisa em 2018. Porque é de doer e de chorar, quando vejo essa seleção como eu vi contra o Panamá. E o pior é voltar ao tempo. Se eu não tivesse esse passado que eu vivi, evidente que eu não teria sentido saudade.
(Manoel de Oliveira, cronista esportivo e deputado estadual)