Se estás doente
Redação DM
Publicado em 17 de agosto de 2016 às 02:54 | Atualizado há 10 anosNo seu livro Chico e Emmanuel, Carlos Baccelli registra este fato narrado por Francisco Cândido Xavier:
“Lembro-me de um acontecimento que considero por vitória da fé. Em 1928 (Chico iniciara seu mandato mediúnico um ano antes, aos 17 anos de idade, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais), as nossas necessidades de recursos materiais eram prementes e não víamos como solucionar o problema senão esperando pela misericórdia divina. A situação era essa quando, numa noite de preces, uma jovem tuberculosa nos procurou, rogando auxílio. Estava abatida e ofegante. Falou-nos das hemoptises que já sofrera. Pediu uma orientação do doutor Bezerra de Menezes (espírito de um médico precursor do espiritismo no Brasil) que, nesse tempo, já nos estendia a caridade da sua atenção. Doutor Bezerra veio até nós e recomendou à moça diversas providências que lhe auxiliariam a cura. Terminadas as instruções, ele escreveu por nossas mãos: “Filha, procure fazer o que lhe peço tomando a presente orientação por 30 dias seguidos”.
A jovem chorou e disse que não dispunha de dinheiro algum para atender aos conselhos recebidos. Por outro lado, muito me comovi, porque eu também não dispunha dos recursos necessários. Ponderei-lhe que tivesse confiança, porque os recursos apareceriam.
Depois de um mês, a moça voltou às nossas preces, plenamente revigorada. Perdera o abatimento. Trazia a face rosada. Fui impelido a perguntar-lhe se havia obtido os recursos que nem ela nem eu possuíamos, um mês antes.
Sorrindo, ela me falou: “Chico, o doutor Bezerra me aconselhou a usar as instruções por 30 dias. Não tendo dinheiro, cortei o papel da orientação em três dezenas de pedacinhos e, cada manhã, eu fazia uma oração, pedindo o amparo de Jesus, e engolia um deles com água de nossa casa. Ao fim dos 30 dias, bebi a receita do doutor Bezerra, e o próprio médico que me tratou a princípio já atestou que estou perfeitamente restabelecida”.
Eis aí um caso típico de fé que remove montanha. Os próprios médicos, antes de mente totalmente bloqueada para essa realidade, hoje são os primeiros a estimular seus pacientes a não duvidarem da própria recuperação.
Nós somos deuses
Os Evangelhos relatam 16 curas realizadas por Jesus e em várias delas ele afirma que o retorno da saúde se deveu à fé do doente.
“Vós sois deuses” – ele chegou a proferir certa feita, mostrando que dentro de cada um de nós está acesa a centelha divina. “Tua fé te curou” – evidenciou várias vezes como, por exemplo, na cura da mulher que há 12 anos sofria de hemorragia crônica. Debilitada, ela movia-se lentamente. Estava caída na calçada, quando passou o Mestre, no meio da multidão, em direção à casa de Jairo, o príncipe judeu que lhe pedira socorro porque a filha agonizava. Num esforço supremo, a doente conseguiu tocar-lhe as fímbrias do manto. O Cristo demonstrou surpresa ao sentir que dele saía energia e perguntou: “Quem me tirou virtude?” Como se tivesse feito algo errado, ela respondeu, timidamente: “Fui eu, senhor” E Jesus: “Filha, tua fé te curou. Vai em paz”.
O Evangelho Segundo o Espiritismo assim define a fé: “Inspiração divina, a fé desperta todos os instintos nobres que encaminham o homem para o bem. É a base da regeneração.”
Estamos sempre encontrando pessoas desesperadas, à procura em Deus de alívio para seus males físicos. A grande maioria desses necessitados, entretanto, mal obtém os primeiros bons resultados, retorna à mesma rotina de seus erros, que adoecem a alma, que passa a enfermidade para o corpo. O fumante volta a fumar, o beberrão volta a beber, o maledicente volta a falar mal do próximo, o invejoso volta à inveja, o ocioso volta à inutilidade, o ciumento volta ao ciúme, o corrupto volta à corrupção, o farrista volta à farra.