Será que Deus existe?
Redação DM
Publicado em 29 de julho de 2016 às 02:07 | Atualizado há 10 anosTenho um amigo que considero intelectual, não desses intelectuais de plantão, mas daqueles que sempre estão pesquisando, lendo, se aprofundando em vários assuntos, além de ser autor de livros, artigos e crônicas que versam sobre estilos diversos, mas, mesmo assim, se mostra um tanto incrédulo em relação aos acontecimentos que muitos consideram como coincidências, mas que aos olhos dos que creem, tratam-se de arranjos da Providência Divina, ou seja, não existem explicações plausíveis se os analisarmos com os olhos e a razão puramente humanas.
Pois bem, a despeito desse amigo não acreditar nos fatos ocorridos com pessoas próximas, com o próprio ocorreu da seguinte forma: em nossa terra natal, Dianópolis, antigo Nordeste de Goiás, hoje Sudeste do Tocantins (portanto, como já me referi por inúmeras vezes aqui neste jornal diário, somos goianos de nascimento e tocantinenses por força de Lei!) existe uma Lagoa, denominada Bonita, que há décadas serve de local para lazer, em vista da água cristalina e morna, com profundidade máxima de um metro e pouco e dimensões consideráveis, sem contar os buritizais que a cercam e um belo rio transparente que corre ao seu lado. Nos finais semana é comum inúmeras famílias para lá se deslocarem para passarem o dia, quando não todo final de semana, curtindo a beleza do lugar. Quando ainda criança, esse meu amigo aqui referido, por circunstâncias da vida, neto da minha mãe, costumava para lá se deslocar levado por ela, juntamente com inúmeros outros netos e netas, tinham como diversão postarem-se ao redor dela no meio da lagoa, quando ela, por sua vez e inúmeras vezes, mergulhava e colhia belas pedras coloridas que se encontravam submersas e enterradas pela própria natureza na areia branca do fundo daquele belo espelho d’água. Cada pedra colhida era entregue, como se um troféu fosse, para algum dos participantes da brincadeira.
Muitos anos se passaram, a vovó há muito falecida, meu amigo agora um excelente escritor, advogado respeitado, meu confrade da Academia de Letras da nossa terra natal, casado, com dois filhos, certo dia resolveu levar as crianças, juntamente com a esposa, para um dia de lazer naquele mesmo local.
O lugar, o mesmo, a beleza a mesma, a natureza demonstrando sua exuberância de forma ímpar, provocando no mesmo sensações e recordações como se ontem ali tivesse estado… (A natureza não envelhece como nós e tem a capacidade de se renovar a cada estação e quanto mais velha mais bela. Ah, se aprendêssemos esse segredo! Se bem que, espiritualmente, quanto mais velhos nos tornamos, mais nobres e conhecedores dos mistérios da vida e, assim, nos tornamos uma espécie de irmãos quase gêmeos da natureza).
As crianças, essas sim, inatas irmãs gêmeas da natureza, na simbiose que existe entre os bons e puros, logo aderiram às brincadeiras no meio da lagoa, a exemplo do que o pai fazia com a avó há tantos e tantos anos. Foi quando o mesmo se lembrou da brincadeira de colher pedrinhas coloridas, colocou-se no meio da roda formada pelos filhos, esposa, irmãs e cunhados, avisou que repetiria o ritual da brincadeira que por diversas vezes via e participava tempos atrás. No primeiro mergulho em busca de pedras, para sua surpresa e de todos, o que conseguiu encontrar enterrado na areia? Um crucifixo de aproximadamente uns 7 cm, novinho, como se lá houvesse sido colocado naquele dia. Todos admirados e ele pasmo, ao lembrar-se da avó que tinha uma fé inquebrantável e ele com as dúvidas que lhe assaltavam o coração de quando em vez. Solicitou à esposa que guardasse aquela preciosidade. E num descuido qualquer, o crucifixo escapou da mão dela e novamente desapareceu na areia; ato contínuo, novo mergulho e novamente nas suas mãos ele estava. E hoje o carrega dependurado no retrovisor do carro que utiliza todos os dias para o trabalho e lazer. O recado foi dado!
Embora o fato não tenha ocorrido comigo, tiro dele as conclusões que me cabem dentro do que acredito e pelo recado que foi transmitido ao meu amigo e sobrinho. E assim, esse acontecimento me remete à reflexão, também, sobre o seguinte: uma criança perguntou ao pai, qual o tamanho de Deus. Então, ao olhar para o céu o pai avistou um avião e perguntou ao filho que tamanho teria aquele avião. O menino disse que era muito pequeno e quase não dava para ver. Então, o pai o levou até ao aeroporto e ao chegar próximo de um avião perguntou: E agora qual o tamanho desse? Respondeu a criança: nossa, pai, esse é enorme! O pai acrescentou: Assim é Deus, o tamanho vai depender da distância que estivemos dele. Quanto mais perto estivermos, maior Ele será em nossas vidas!
No ventre de uma mãe os gêmeos dialogavam. Um perguntou ao outro: Você acredita em vida após o parto? O outro respondeu: é claro. Tem que haver algo após o parto. Talvez estejamos aqui para nos prepararmos para o que virá mais tarde. Bobagem, disse o primeiro. Que tipo de vida seria essa? O segundo diz: eu não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez poderemos andar com nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez teremos outros sentidos que não podemos entender agora. O primeiro retrucou: Isto é um absurdo. O cordão umbilical nos fornece nutrição e tudo o mais que precisamos. O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto está fora de cogitação. O segundo insistiu: Bem, eu acho que há alguma coisa e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez a gente não vá mais precisar deste tubo físico. O primeiro contestou: bobagem, e além disso, se há realmente vida após o parto, então, por que ninguém jamais voltou de lá para dizer? Bem, eu não sei, disse o segundo, mas certamente vamos encontrar a mamãe e ela vai cuidar de nós. O primeiro respondeu: mamãe, você acredita realmente nela? Isto é ridículo. Se a mamãe existe, então, onde ela está agora? O segundo disse: ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos ela e dela. É nela que vivemos. Sem ela este mundo não seria e não poderia existir. Disse o primeiro: bem, eu não posso vê-la, então, é lógico que ela não existe. Ao que o segundo respondeu: às vezes, quando estamos em silêncio, se nos concentrarmos e realmente ouvirmos, poderemos perceber a presença dela e ouvirmos a sua voz amorosa, falando conosco. Foi dessa forma que um escritor Húngaro explicou a existência de Deus.
El, Eloah: Deus “poderoso, forte, proeminente” (Gênesis); El Shaddai: “Deus Todo-Poderoso”, “O Poderoso de Jacó” (Gênesis 49:24; Salmo 132:2,5)nesis 7:1, Isaías 9:6) Elohim: Deus “Criador, Poderoso e Forte” (Gênesis 17:7; Jeremias 31:33) Adonai: “Senhor” (Gênesis 15:2; Juízes 6:15) YHWH / Yahweh / Jeová: “Senhor” (Deuteronômio 6:4, Daniel 9:14) Jeová-Jiré: “O Senhor proverá” (Gênesis 22:14) Jeová-Rafa: “O Senhor que sara” (Êxodo 15:26) El Eliom: “Altíssimo’ (Deuteronômio 26:19) El Roi: “Deus que vê” (Gênesis 16:13), dentre tantas outras denominações…Tudo que vem de Deus, Alá, Jeová, Javé, etc… ou outra denominação que a humanidade queira dar, é grande e sábio e Ele não exige grandes acontecimentos para se manifestar, está presente nas mais singelas ocorrências do dia a dia, a exemplo dos fatos acima citados.
Será que Ele existe?
Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!
(José Cândido Póvoa, poeta, escritor e advogado. Membro fundador da Academia de Letras de Dianópolis (GO/TO), sua terra natal)