Setor de combustíveis avalia que medidas do governo não resolvem crise
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 12 de março de 2026 às 15:33 | Atualizado há 4 meses
Setor critica medidas do governo para conter alta do diesel | Foto: Freepik
(Nicola Pamplona e Felipe Mendes/Folhapress)
As medidas anunciadas pelo governo para conter a alta do preço do diesel foram consideradas insuficientes pelo setor de combustíveis e por segmentos do transporte que vinham cobrando uma ação emergencial diante da crise.
Fontes do setor destacaram que a diferença entre o preço cobrado pela Petrobras e as cotações internacionais está hoje bem superior ao desconto de R$ 0,64 por litro concedido pelo governo, por meio da isenção de PIS/Cofins e de subvenção a produtores e importadores.
Na abertura do mercado desta quinta-feira (12), por exemplo, o litro do diesel nas refinarias da estatal custava R$ 1,61 a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
Caminhoneiros cobram participação dos estados
“A medida resolve parcialmente, mas é necessário chamar os governadores para que o governo federal possa discutir a questão da isenção também do ICMS dos estados, como foi feito no governo anterior referente à pandemia”, disse Wallace Landim, um dos líderes dos caminhoneiros.
O ICMS é hoje o principal item de custo no preço final do diesel, fora o próprio combustível. O imposto representa R$ 1,17 por litro, o equivalente a 19% do valor pago, em média, pelo consumidor.
Landim é presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, entidade que ameaça convocar greve dos caminhoneiros caso o governo não tome medidas para enfrentar o aumento do preço dos combustíveis.
“A gente observou que, principalmente no Centro-Oeste, houve um aumento no diesel de mais de 25% nas últimas semanas. O que as distribuidoras e os revendedores estão fazendo com essa manobra é inadmissível, porque não houve aumento na Petrobras”, afirmou à reportagem.
Importações pressionam preços
De fato, distribuidoras e importadores privados repassaram a escalada das cotações internacionais aos volumes de diesel que trazem do exterior. Dona da maior refinaria privada do país, a Acelen já promoveu três reajustes no preço do diesel desde o início do mês.
Segundo a Edenred TicketLog, o preço médio do diesel subiu 7,7% no Brasil após o início da guerra. As maiores altas foram verificadas nas regiões Nordeste (8,79%) e Centro-Oeste (7,11%).
A Petrobras, por sua vez, não mexe nos preços do diesel há mais de 300 dias, embora venha repassando parte da alta do produto importado em leilões, segundo fontes. Na semana passada, a presidente da estatal, Magda Chambriard, alegou que ainda era cedo para determinar em qual patamar ficariam as cotações do petróleo.
Distribuidoras e importadores alertam que a elevada defasagem dos preços da Petrobras dificulta importações privadas e pode afetar o abastecimento nacional, principalmente de diesel, produto mais pressionado pela guerra.
O país importa cerca de um quarto de seu consumo de diesel. Metade das importações é feita pela Petrobras e a outra metade por empresas privadas, que têm menor disposição para segurar preços.
Com as medidas anunciadas nesta quinta, essas empresas podem importar o diesel com desconto de R$ 0,64, mas ainda assim com preço bem acima do praticado pela Petrobras.