Brasil

Seu pior inimigo

Redação DM

Publicado em 14 de maio de 2017 às 02:14 | Atualizado há 9 anos

Suicídio não é só praticar a extinção da vida,  de forma instantânea ou a longo prazo, mas tudo o que é feito, conscientemente, para apressar o fim, a falência das forças vitais.

Por mais que bordem o tema com divagações poéticas, que argumentem, enfeitando o assunto com justificativas sedutoras de exemplificação de  ato corajoso – o suicídio é crime aos olhos de Deus – e falta gravíssima cometida pela pessoa contra si mesma, revelando a  ignorância de  quem o pratica. Embora a Misericórdia que socorre a todos e não desampara ninguém, não existem argumentos que  possam justificar esse ato insano.

Sempre existiu esse destempero que hoje está seduzindo os jovens e encontra receptividade em suas vidas por se acharem, em grande número, perdidos, distantes de quem os poderia e deveria orientar:  seus pais.

Parece haver uma lacuna, verdadeiro abismo separando os pais dos filhos, não havendo,  entre eles diálogo nem gosto em conversar. Na maioria dos casos, o triste registro de  nenhum hábito de  querer saber como os filhos estão levando suas vidas nem trocar ideias entre eles…

Há pais que  defendem essa atitude, justificando não querer interferir no modo próprio que cada um deve ter de se posicionar ante as ocorrências do dia a dia.  E com o coração e a mente vazios, sem orientação e sem rumo, os jovens aceitam tudo que lhes chega aos ouvidos, acolhendo opiniões maldosas, distorcidas, como pérolas de criatividade e desafio que desestruturam a mente de quem já se encontra em desequilíbrio e muitas vezes em desespero.

São frequentes os momentos de fraqueza e solidão que por vezes coincidem com o capricho de querer se vingar de alguma contestação às exigências egoísticas de quem não tem que lutar por  coisa alguma, acostumado que foi a ter tudo no tempo e na hora da solicitação.

Aí  vem o desejo de se mostrar insatisfeito e querer contrariar quem se negou a satisfazê-lo, agindo desafiadora e inconsequentemente.  Não é considerado o alto preço que se paga, por pura ignorância.

É importante saber o quanto custa agir em função do orgulho ferido, desde que não se consegue sair da vida, pois a morte não existe como a extinção da existência.

Os problemas de orgulho ferido ocorrem quando a pessoa se julga merecedora de melhores recursos, sejam eles financeiros, sociais,  intelectuais,  políticos,  e não aceita as limitações que a vida lhe confere, preferindo até morrer a ter que aceitar sua triste realidade. Prefere debandar para o outro plano quando não usufrui das vantagens de que se julga merecedora. Não tem fé na vida futura,  desacredita na proteção divina . É um cenário desolador.

O suicida chega do lado de lá como um cidadão que embarca sem passaporte e sem visto.  Como clandestino,  na nova jornada não tem permissão para ficar, legalmente, em parte alguma e ainda sofre  a reparação do mal cometido, através da necessidade de retorno ao palco de suas dores, o mais das vezes com dificuldades maiores que as enfrentadas, outrora.

Da vida ninguém sai. No engodo do suicídio como solução, a vítima, tardiamente, vê que agiu como se fora seu pior inimigo.

 

(Elzi Nascimento  – psicóloga clínica e escritora / Elzita Melo Quinta  –  pedagoga – especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem  no DM às sextas-feiras e aos domingos.   E-mail: [email protected]    (062) 3251 8867.)


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia