Sistema partidário exaurido
Redação DM
Publicado em 29 de novembro de 2021 às 15:40 | Atualizado há 5 anos
Partidos políticos são fundamentais. Não pela quantidade, mas pela qualidade. Um partido deve significar uma corrente de pensamento, ou uma parte da sociedade que pensa igual, em termos políticos. De que vale um sistema partidário com mais de 30 agremiações, sem que qualquer delas tenha projetos para o país? Pior: um partido com nome trabalhista contrário aos interesses do trabalhador? Ou com a palavra “democrata” no nome e, mesmo assim, dominado por indivíduos sequiosos pela implantação de uma ditadura?
Tudo isso financiado por recursos do contribuinte. Proibir o financiamento por empresas era uma aspiração. Até justa, levando em conta que empresas privadas não fazem política; fazem negócios. A grita contra a corrupção de há muito escancarada resultou no financiamento público. Piorou, está demonstrado. Hoje, políticos trocam de partido em busca de dinheiro. Dinheiro do erário. Quem dá mais? Foi até instituída a chamada “janela partidária”. Muitos titulares de mandatos não sabem ainda por qual partido disputarão no pleito a ser realizado em 22. Isso é incrementar, com dinheiro público, a malandragem, a ausência de compromisso com ideias. Levando em conta que comer, coçar e furtar é só começar, conclui-se que esse sistema conduz à corrupção.
Nada contra à existência de muitos partidos, desde que financiados pelos seus simpatizantes pessoas físicas. O financiamento público deve existir, pela oferta aos partidos, por exemplo, de tempo específico no rádio e na televisão . Devidamente regulamentado. Subordinado aos interesses do eleitor, que deseja ser bem informado sobre ideias, projetos e compromissos. Atualmente, esse precioso e caro “horário eleitoral gratuito” é, para alguns, algo mais a ser negociado.
O fato é que o sistema se exauriu. Os partidos sequer produzem candidatos. Deveríamos contar às dezenas os nomes preparados visando à disputa presidencial de 2022. No entanto, despontam só dois nomes, Bolsonaro ou Lula; Lula ou Bolsonaro. Os dois emergiram pelas particularidades próprias, ou por razões específicas, bastante conhecidas.
Estamos no fundo do poço.
Acorda, Brasil.