Brasil
Sobre almas cansadas e ventos incertos!
Redação DM
Publicado em 21 de fevereiro de 2016 às 23:08 | Atualizado há 10 anos
Então a minha alma cansada disse ao vento incerto: “Leva-me contigo para onde quiseres. Vamos, sem reservas, arrasta-me. Refrigera-me enquanto bailamos sobre as montanhas geladas e aqueça-me enquanto cruzamos as areias quentes do deserto; liberta-me dos cativeiros estabelecidos pela impiedade do meu passado. Sinto-me comprimida entre as brasas de ontem e as pontas afiadas do amanhã. Não quero alimentar-me de ilusões. Só tenho o hoje. Só tenho o agora. Só tenho este milésimo de segundo para chamar de ‘meu’. O resto é enigma. É probabilidade. É apalpar o vazio”. Depois de certa calmaria o vento soprou e disse: “vem”.
(Thiago Mendes é escritor)