Sobre o nosso paraíso pessoal!
Redação DM
Publicado em 4 de maio de 2016 às 00:45 | Atualizado há 10 anos
Lembro-me bem do meu. Aquele mundinho simples, com meus irmãos, tios e vovó. “Ah, vovó!” Vivia escondendo-me por entre os pés de café ali mesmo no quintal ou aventurando-me ao escalar as jabuticabeiras, mangueiras e goiabeiras. Amava a festa de boas-vindas dos cachorros quando chegávamos da escolinha da tia Varcilene – que ficava ali mesmo em uma fazenda vizinha. Eles, os cães – Sudã e Mineira, quase arrancavam os seus rabos, pulavam em cima da gente e faziam caretas de felicidade. Depois vinham as responsabilidades de todo bom menino de roça: apartar o gado, tratar dos porcos, tomar banho no riacho, e ainda bater uma bolinha no final da tarde… “Vovó o que a gente vai jantar hoje?”. “Arroz, feijão, abóbora madura e carne de lata”. Aquelas carnes, confesso que adorava roubá-las, mas nunca foi segredo para vovó. A boca e os dedos engordurados sempre me denunciaram. O ruim do tempo é que ele passa e, assim como Adão e Eva, na história de Gênesis, somos expulsos do nosso paraíso. O tempo passou.
(Thiago Mendes, escritor)