Brasil

Sócrates em busca da filosofia

Redação DM

Publicado em 22 de junho de 2016 às 03:31 | Atualizado há 10 anos

Depois da profecia do Oráculo do Templo de Delfos, passei a te procurar com intensidade, oh! “Rainha da Ciência”, iniciei a minha procura no meio dos Sofistas, pois, esses são exímios oradores, grandes mestres, e competentes pedagogos, são eles que ensinam diariamente os jovens atenienses a arte da retórica, pois, por intermédio de um bom e belo discurso as pessoas são persuadidas a acreditarem em suas teorias. No entanto, para a minha surpresa, a filosofia não estava com os grandes oradores, porque embora sendo estes detentores de uma excelente linguagem, chegamos à conclusão de que, no meio desses discursos e dessas magníficas palavras existem falácias e sofismas que, não condiz com a essência filosófica, uma vez que, os Sofistas e os grandes oradores assemelham-se aos políticos que usam de palavras persuasivas para manipular a massa dos incautos. Por sua vez, a filosofia traz no seu âmago a verdade tanto na teoria quanto na prática.

Continuamos na nossa procura por ti, Oh! Amiga Eterna da Sabedoria! Passamos a te procurar no meio dos Poetas, pois, esses são homens privilegiados entre os demais, porque possuem a inspiração divina para compor inspiradíssimos versos, belos sonetos, profundas crônicas e interessantes contos, são homens que sentam á mesa e do “nada” lhes brotam lindas poesias que consolam o coração dos desesperados, enchem de alegria a alma dos apaixonados e traz paz e alento aos aflitos e desesperados. No entanto, grande foi a nossa surpresa, pois, tu, Oh! “Divina Maiêutica”, também não estava com os poetas, uma vez que, a filosofia é um dom que existe na alma de todo homem, necessitando apenas de ser despertada por meio das reminiscências. Enquanto que a Poesia é um dom natural que só são possuidores aqueles predestinados por Deus, para desenvolverem esse divino talento.

Oh!, “Grande Sábia”, mãe de toda a Ciência e de todo o conhecimento racional, se não estás junto com os oradores e nem no meio dos poetas, onde poderás está? Tentei mais uma vez te encontrar, e, dessa vez te procurei no meio dos artesãos, pois, são homens que se destacam por belas obras de artes, como por exemplo: eles confeccionam harpas das quais saem o som, eles também fabricam móveis maravilhosos, destacando suntuosos divãs onde por muitas vezes nos assentamos e filosofamos por várias horas. Mas, oh!, “Mestra Infinita”, com os artesãos tu também não estavas, porque tal qual a aptidão dos poetas, a arte do artesanato é uma aptidão natural dos quais só são propensos os escolhidos por Deus, para tal labor, enquanto que tu, oh, “Amiga da Sabedoria” está disponível para todos os homens.

Depois de concluída a nossa busca e não ter te encontrado, fiquei questionando comigo mesmo, onde estarás? A filosofia então passou a me responder: eu sou a essência da razão, sou a verdade que liberta, sou o diálogo eterno, sou a mãe do saber incondicional, sou o prelúdio do conhecimento e o poslúdio daqueles que atingiram o mais alto grau do saber, sou o questionamento eterno, sou a pergunta que nunca se cala e serei sempre o bálsamo contra a ignorância. Todos os que me buscam nunca me encontrarão, mas, no entanto, todos os que me buscarem embora nunca me encontrando, conseguirão sair da ignorância e acharão o caminho para a busca incessante da sabedoria em sua plenitude.

 

(Giovani Ribeiro Alves, filósofo, professor de Filosofia no Colégio Estadual Vida Nova e no Instituto Bíblico de Campinas, ambos em Goiânia, escritor, poeta, membro da Associação Goiana de Imprensa e articulista do Diário da Manhã)

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia