Brasil

Sugestão para o governo de um método eugênico de aniquilação de doentes mentais

Redação DM

Publicado em 13 de dezembro de 2016 às 01:25 | Atualizado há 10 anos

Vou falar uma coisa pra voces, uma confidência repreensível, digna de Maquiavel, mas, se eu fosse governo, eu cortaria os gastos com assistência psiquiátrica. Ninguém vai reclamar, a maioria dos familiares quer mais é que seu doente, este “mala que só dá prejuízo”, desapareça. E, quando esses doentes que ninguém quer mais matam a familia dos outros, “nao foi a doença psiquiátrica que matou, foi a bala, foi a embriaguez ao volante, foi o crime passional, foi a briga de bar, foi o “tarado que estuprou”. Ou seja, o governo pode aniquilar doentes mentais à vontade, as mortes psiquiátricas aparecem é nos problemas de “segurança pública”. Doença mental também empobrece, e grande parte dos doentes graves são pobres; e o “bom” para o governo é que pobre não reclama, quem reclama é classe média. É um tipo de “eugenia” da pobreza, algo “bom” para o governo, é menos gente para consumir seus recursos. Enfim, o meu conselho final ao governo: doença que não sangra, não aparece! Portanto, parem de gastar dinheiro com isso.

De modo geral é o que vem acontecendo. Por exemplo, em apenas cinco anos, o Brasil perdeu quase 25 mil vagas hospitalares, quase todas em psiquiatria.

O governo refere que não está dando conta de bancar “assistência médica”, devagar, sem que “ninguém veja”, está abandonando as áreas médicas onde “não morre gente”. Está ficando só com as áreas de urgências, que é o que aparece na TV, tipo assim: “falta de UTI”.

Nossa imprensa padece do “mal brasileiro”: falta de leitura, falta de profundidade, corrupção por motivos governistas, corrupção por motivos empresariais (associados aos governos). Então, ficam só na “falta de leitos na UTI”, todo dia na TV. Não aprofundam no resto…

Ora, vamos ver : se um paciente psiquiátrico não tem um bom médico especialista, um bom exame laboratorial, um bom remédio, irá tentar suicídio. Ou seja, “indiretamente” – isto é, sem ninguém ver – terá se transformado de um caso “simples” de consultório psiquiátrico, em um complexo (e caro) caso de UTI.

É por isso que quanto mais o governo constrói unidades de emergência, unidades intensivas, mais elas fazem falta…

Se o governo fosse se desobrigando da saúde e deixando de recolher os impostos que deveriam ser aplicados na área, tudo bem. Com menos impostos nas costas, o cidadão poderia ter dinheiro para pagar um plano de saúde, pagar um médico ou hospital particular. Mas não é isso que acontece: o governo cobra cada vez mais imposto e dá cada vez menos serviços… Ou então apenas “maquia” os serviços, ou seja, faz de conta que faz mas não faz. Mas medicina não é burocracia : se o governo faz de conta, o problema aparece, uma hora ou outra, e com mais gravidade. Então acontece que a população tem cada vez menos recursos para assistência médico-hospitalar , pois estes são sugados pelo governo, e tem cada vez menos assistência médica intermediária.

 

(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra. Escreve no Diário da Manhã, dm.com.br (acesso gratuito) às terças, sextas, domingos)

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