Ter direitos virou moda
Redação DM
Publicado em 2 de fevereiro de 2016 às 23:11 | Atualizado há 10 anos
Num dia o cidadão não tinha um computador, mas alguém do governo teve a idéia de fornecer computadores às pessoas que não pudessem comprar um, redigiram uma lista de exigências para que o sortudo fosse contemplado, organizaram licitações, fizeram festas e milhares de pessoas, enfim, ganharam um belo “eletrodoméstico” – Após a primeira semana, os felizardos descobriram que o aparelho sozinho era inútil, mas vá lá, foi de graça, fica aí na sala mesmo, perto da televisão, é chique!
Com o tempo, diversas pessoas que não foram agraciadas por não satisfazerem os preceitos originais começaram a reclamar, também queriam um computador “de grátis”, tanto fizeram e gritaram que conseguiram, nesse ponto liberou geral, bastava pedir e pediram, queriam modelos mais novos e mais rápidos, coisas de CPU, bytes e outros termos remotos.
Quando o governo pensou em negar, foi processado e pagou, pagou um, pagou milhão, concederam a todos novos instrumentos, aqueles já distribuídos e os outros que estavam no estoque também, uma gastança bonita de se ver, agora quem tinha um de enfeite, possuía dois: sala e cozinha!
E assim a coisa, chamada, humanidade, caminha…
A motivação da propalada ajuda e inclusão social, em qualquer área que seja, não é ruim, existem milhões de pessoas que realmente necessitam de auxílio, assim como existem outros milhões que vão de carona, esses últimos são os mais exigentes, tem consciência dos seus direitos, mesmo que não os tenham de verdade, mas não se intimidam com essa bobagem de consciência ou honestidade – Se o governo está dando, eu também quero e pronto.
O culpado é o governo por criar direitos e direitos e não fiscalizar ou punir quem os frauda, aliás, fralda é o que mais deveria usar esse tipo de política, porque faz uma sujeira imensa o tempo todo, lembrando que nada desses direitos é gratuito, alguém paga, o povo paga e caro, muitas vezes mais caro do que seria prudente, respeitável.
Depois de algum tempo fica impossível retirar esses preciosos “bens”, na mínima tentativa, já aparece alguém ou muitos com a Constituição na mão (muitas vezes nunca aberta nem lida) gritando contra o golpe – Não é fácil não.
O que fazer diante disso? Como convencer uma sociedade que os tais direitos causam mais prejuízos que benesses? Os favorecidos diretamente não irão concordar jamais, são crianças com o pirulito e pipoca nas mãos, alguém tem que agir como adulto e tomar os doces de uma vez.
Chegará o dia em que um governo terá essa coragem? Eu duvido, mas torço pra estar errado, lembrando que se fala aqui dos “direitos” prejudiciais à nação, aqueles populescos e demagógicos, ou seja, inúteis.
(Olisomar Pires, escritor -olisoblog.com)