Trabalho: quando os olhos falam
Redação DM
Publicado em 23 de outubro de 2015 às 22:05 | Atualizado há 11 anos“Os velhos olhos vermelhos enganam, sem querer, parecem claros, frios, distantes…”
É, o fardo não é leve. Precisa-se produzir cada vez mais, competir com as máquinas quando não se sabe operá-las. É uma corrida louca atrás daquele papel que compra comida, que paga uma moradia, um transporte, o passaporte para a vida ‘social’. Que mundo insano é esse em que vivemos, onde esses papéis nos tornaram escravos? Não deveria ser diferente?
Muitos falam em qualidade de vida no trabalho, em desenvolvimento, todavia é necessário abrir os olhos e enxergar além ao que está posto. Trabalhamos mal, viemos pior ainda. Não tardará e seremos todos etiquetados com um selo de eficiência que mostrará como somos no trabalho, quanto produzimos por tempo e quanto o burguês conseguirá lucrar.
Mas é preciso avançar mais a nossa visão. Existem incontáveis trabalhadores que estão num cenário ainda mais precário, sujeitos a serviços análogos a escravidão e que, para tentarem competir com a máquina e aumentar a eficiência e a resistência do seu corpo, encontram nos ‘olhos vermelhos’ a única saída possível.
Nós, seres egocêntricos que somos, precisamos parar de condenar e sim, entender a causa desses olhos vermelhos, eles tem muito a dizer. Seres humanos desassistidos que sofrem, carecem de cuidado, de proteção. Temos que desligar o ‘fantástico mundo de Bob’ que sonda nossa mente e tentar transformar o mundo. Isso não é poesia, são possibilidades, necessidades que estão gritando e pedindo socorro, você consegue ouvir?
Não estamos aqui apenas para produzir mercadorias e serviços. Estamos aqui para produzir relacionamentos, sorrisos, cooperativismo e tentar tornar o mundo mais justo. Me inquieta esse silêncio maldito dos que nada querem fazer e me atormenta a voz dos governantes que se sustentam com falácias. Nós, juntos, temos o poder para fazer mudanças, de melhorar o mundo. Você vai ser apenas mais um figurante ou vai atuar num papel significativo?
O mundo ainda grita.?
(Suellen Mara de Lima Couto, acadêmica do 5º Ano de Ciências Econômicas da UEG – Campus Itumbiara)