Brasil

Um belo começo

Redação DM

Publicado em 15 de junho de 2016 às 02:31 | Atualizado há 10 anos

O Brasil é, sem dúvidas, um país com um abrangente repertório cultural. Devido aos processos iniciados durante as Grandes Navegações, no século XV, como a miscigenação, imigração e globalização, a cultura brasileira recebeu inúmeras influências de europeus, indígenas, africanos e asiáticos, tornando-se rica e diversificada. No entanto, ela sempre foi restrita à elite, excluindo boa parte da população de baixa renda. Desse modo, foi criada a Lei Federal de Incentivo à Cultura, mais conhecida por nós como Lei Rouanet, que estimula a ascensão de novos talentos, dando-lhes a oportunidade de mostrar seus projetos ao restante da nossa nação.

Particularmente, acredito que essa Lei é um interessantíssimo modo de ampliar nossa visão de mundo e nos fazer conhecer várias manifestações culturais que, em outros tempos, nós sequer sonharíamos existir. Ademais, ajuda a cultura brasileira a sair da estagnação em que se encontra. Afinal, com a forte imposição de hábitos vindos do exterior sobre o Brasil, principalmente dos norte-americanos, nossa produção cultural passa por um processo de empobrecimento. Prova disso são os filmes que, desde “Cidade de Deus”, de 2002, parecem tratar de uma mesma temática, tornando-se previsíveis e sem graça. Logo, se nós copiamos cada dia mais as grandes potências mundiais, é quase impossível imaginar que nossa própria cultura continuará a valorizar a identidade nacional, e a Lei Rouanet veio para corrigir essa trágica realidade.

A desigualdade social e segregação populacional do Brasil também agravam a situação. Elas promovem a distinção entre cultura popular, manifestação espontânea e simples do modo de vida de um povo, com forte influência regional e difundida de geração em geração, e cultura erudita, aristocrática, amplamente propagada entre os componentes da elite por exigir um alto grau de instrução, formação, conhecimento e estudo. São duas esferas que não se misturam, impedindo que a diversidade de ambas se comuniquem entre si e aumentando a marginalização de boa parte dos brasileiros. Vejo que a Lei de Incentivo à Cultura, ao possibilitar a produção das mais diversas obras, é uma forma de mostrar a ambos os lados o que está presente no outro, sendo, assim, uma maneira de também reduzir essa infeliz divisão dos brasileiros.

Nesse contexto, não posso deixar de comentar, é claro, da atrativa cultura de massa, conceito introduzido pelos filósofos alemães da Escola de Frankfurt. Ela manipula a população por completo, transcendendo as barreiras sociais, e a induz a se comportar de certo modo e consumir determinados produtos. Por isso, é fortemente estimulada pelas grandes empresas, principalmente as transnacionais, que desejam aumentar seu mercado consumidor, e veem na cultura de massa um meio de levar as pessoas a comprarem suas mercadorias, por estarem “na moda”. Nesse cenário de tanta padronização, percebo que a Lei Rouanet vem para valorizar a cultura nacional e até mesmo regional, exaltando nossa pátria, algo que não temos feito muito desde os tempos de Castro Alves e seu sabiá nas terras de palmeiras.

A Lei de Incentivo à Cultura é, portanto, uma ótima maneira de fazer com que a cultura brasileira continue crescendo e se diversificando ainda mais. Espero que os novos artistas saibam aproveitá-la bem e consigam divulgar seu talento para todo o Brasil. Afinal, nós, brasileiros, temos que parar de enxergar culturas superiores nas nações exteriores e dar mais valor à nossa, e o estímulo financeiro às mais variadas manifestações do nosso povo é um belo começo.

 

(Carolina Soares, 16 anos, estudante, nasceu em Goiânia, em dezembro de 1999. Gosta bastante de ler e escrever, já foi Repórter Mirim de O Popular e, aos 11 anos, ganhou o 3° lugar de um concurso de poesias feito na escola onde estudava. Atualmente, está envolvida em um projeto literário que será publicado em breve, e escreve artigos a respeito de suas visões sobre os recentes acontecimentos do país)

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