Uma análise sistemática da tríade
Redação DM
Publicado em 31 de janeiro de 2016 às 23:17 | Atualizado há 10 anosTalvez pudéssemos compreender porque muitas pessoas “param no tempo”, quando analisamos com clareza seus medos interiores, seu comodismo/indiferença e sua insistência em afirmar e acreditar que é apenas uma “vítima do sistema”.
Vitimada pelo medo patológico encontra sempre na válvula do escapismo um argumento que lhe convence de que o mundo não lhe propiciou oportunidades e assim assume a posição cômoda de “o coitadinho”.
Decorrente dos referidos fatores sociológicos, das pressões psicológicas, dos impositivos econômicos, o medo assalta o Homem, empurrando-o para a violência irracional ou amargurando-o em profundos abismos de depressão onde ele se esconde como uma vítima que não pode e não tem o direito de mudar porque as pessoas não lhe dão essa permissão e todos estão contra o seu sucesso e sua felicidade – “síndrome de vitimismo”.
Temos percebido que, atualmente, o Homem sofre de doenças psicológicas várias, em face ao seu medo de uma tomada de decisão, de uma postura atuante em seu meio e, principalmente, do medo de si mesmo e de suas potencialidades, muitas vezes, vista apenas pelo prisma do negativismo, da destruição – sempre na posição de: “a vítima”.
Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios justificáveis do relacionamento instável com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais (“rodoviarinha” = local onde os alcoolistas se encontram pela manhã para esconder da responsabilidade da vida) para onde fogem os indivíduos, na expectativa de equilibrar-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem perceberem, um comportamento alienado, que termina por apresentar-se igualmente patológico.
Muitas pessoas se dizem precavidas ou cautelosas, quando na verdade, é o medo que as impede de tomar decisões. Investe-se em profissões várias, sem uma tomada de consciência de seus verdadeiros compromissos e desejos interiores.
As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes, mantendo os haveres em lugares quase inexpugnáveis, fazem o Homem emparedar-se no lar ou aglomerar-se pela aparência externa, perdendo a identidade em relação a si mesmo, ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de grave porte.
A alucinação generalizada certamente aumenta o medo nos temperamentos frágeis, nas constituições emocionais de pouca resistência, de começo, no indivíduo, depois, na sociedade. Estamos diante de uma sociedade amedrontada. Onde todos parecem se preparar para uma grande festa que não sabem nem quando nem onde irá acontecer – gerando quase sempre ansiedade patológica.
As gerações anteriores também cultivaram os seus medos de origem atávica e de receios ocasionais; porém, hoje, pessoas amedrontadas se acomodam para não se responsabilizar-se pela própria vida dando lugar à “síndrome de vitimismo”, sempre culpando alguém ou alguma coisa pelo seu fracasso.
Urge, sem delongas, uma revisão de conceitos, uma mudança de conduta, um reestudo da coragem para a imediata aplicação no organismo social e individual necrosado.
Todavia, é no cerne do Ser – Espírito imortal – que se encontram as causas matrizes desse inimigo rude da vida, que é o medo que o leva ao comodismo/indiferença e se comporta como vítima de um mundo injusto e cruel. Onde através deles surge, o sentimento de incapacidade, os receios, as fraquezas que acercam a alma humana: “essa desconhecida”.
Os fenômenos fóbicos procedem das experiências passadas – reencarnações fracassadas – nas quais, a culpa não foi liberada, face ao crime permanecer oculto, ou dissimulado, ou não justiçado, transferindo-se a consciência faltosa para posterior regularização.
O homem transfere, quase sempre, seus medos interiores para o mundo externo, comumente de ordem material e profissional. Temos visto, com a devida ética e observância profissional, muitos profissionais do campo do comportamento psicoemocional – psicólogos e/ou psicoterapeutas – que dificulta sua ajuda ao paciente em detrimento do medo de ousar transgredir aquilo que lhe fora passado quando acadêmico, assim como seus medos mal resolvidos em relação a si mesmo e à essência humana vista de maneira integral e transparente.
Ocorrências de “gerações passadas” de grande impacto negativo, pavores, urdiduras perversas, homicídios, programados com requinte de crueldade, traições infames sob disfarce de sorrisos, produziram a atual consciência de culpa, de que padecem muitos atemorizados de hoje, nos inter-relacionamento atual.
Outrossim, “catalépticos sepultados vivos, que despertam na tumba e vieram a falecer depois, por falta de oxigênio, reencarnam vitimados pelas profundas claustrofobias, vivendo em precárias condições de sanidade mental”.
O medo é fator dissolvente na organização psíquica do homem, predispondo-o, por somatização, as enfermidades diversas que aguardam correta diagnose e específica terapêutica, embora, os psicólogos e/ou os psicoterapeutas despertos, já se posicionaram diante do Homem integral para melhor ajudá-lo em suas enfermidades de origem psicológica e espiritual.
À medida que a consciência se expande e o indivíduo se abriga na fé racional, na certeza da sua imortalidade, ele se liberta, se agiganta, recupera a identidade e humaniza-se definitivamente, vencendo o medo e os seus sequazes sejam de ontem ou de agora. Acorda para vida feliz e se percebe em ação dando novo sentido à sua existência. “Desperta-te, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá”. Efésios 5:14. O apóstolo Paulo se refere aos mortos em vida.
A geração atual perdeu a confiança nas afirmações do passado e deseja viver novas experiências ao preço da alucinação, como forma escapista de superar as pressões que sofre, impondo diferentes experiências.
Numa luta furiosa, nas festas ruidosas, as extravagâncias de toda ordem, o exibicionismo com que alguns pensam vencer os medos íntimos, uso de cartões de crédito em grandes shoppings como ilusão “terapêutica”. A ganância do ter esquecendo-se do ser. Acumulam coisas como forma de compensar sua infelicidade perante a vida e o viver. São atitudes patológicas decorrentes da fragilidade emocional para enfrentar os desafios internos e externos.
Devemos ter em mente que o medo só poderá ser “extinguido” ou trabalhado quando se compreender que não existe liberdade quando se mente, se engana, impõe e atraiçoa, pois a liberdade é uma atitude perante a vida e só há liberdade quando há auto-respeito e se ama conscientemente. “Amar ao próximo como a ti mesmo”.
O Homem só perderá seu medo perante a vida e a si mesmo quando compreender a verdadeira essência humana, a verdadeira origem de tudo: o “eu” verdadeiro que existe dentro de si mesmo. Saia das sombras e encare a si mesmo e o medo desaparecerá.
Ninguém é vítima a não ser de si mesmo, uma vez que sempre fazemos uma escolha que nos levará a seguir um determinado caminho. Caminho esse de total responsabilidade daquele que o escolhe. São as escolhas que fazemos ao longo de nossas vidas que determinam onde estamos agora, assim como o fato de estarmos felizes ou infelizes, ricos ou pobres, sociáveis ou insociáveis, cultos ou incultos, rodeados de pessoa boas ou ruins, solitários ou não e assim por diante. Sempre conscientes de que estamos onde construirmos estar. Nada mais. Leiam a segunda parte deste artigo.
(José Geraldo Rabelo, psicólogo holístico, psicoterapeuta espiritualista, parapsicólogo, filósofo clínico, artista plástico, prof. Educação Física, especialista em família, depressão, dependência química e alcoolismo, escritor e palestrante)