Brasil

Uma história de pólvora, o anão que venceu o gigante

Redação DM

Publicado em 7 de outubro de 2015 às 22:09 | Atualizado há 11 anos

Há certas invenções ou ideias que vale o esforço de pesquisa  ou busca por  quem foi o primeiro criador, idealista e inventor. E não precisa ser grande engenheiro, inventor, ou  uma enorme máquina para ver a sua importância. Basta que essa criação tenha uma utilidade para toda ou quase toda humanidade. Vamos pegar como exemplos dois extremos em termos de grandeza e custo de produção. Um submarino e um iate, uma panela de pressão e um chuveiro elétrico. Quais desses quatro inventos têm mais alcance social? Eu não conheço submarino nem iate. Chuveiro e panela de pressão  me trazem benefícios desde a infância. Eu tenho curiosidade pelos idealistas e autores desses dois  últimos utensílios domésticos. Na minha concepção foram dois grandes benfeitores da humanidade pelo tanto de pessoas beneficiadas. Não que o submarino ou o iate não sejam úteis. Eles são, mas para que, para quem  e para quantas pessoas?

Peguemos o prêmio Nobel de Medicina de 2105. À primeira vista soa uma descoberta simples. Os laureados foram William C. Campbell, Satoshi Omura e dra Youyou Tu. Campbell e Omura isolaram o vermicida Ivermectina no tratamento da oncocercose (cegueira dos rios) e da filariose(elefantíase). Youyou Tu, descobriu a artemisina, no tratamento da malária. Pronto. Torna-se dispensável tecer louvores a esses descobridores do quanto de benefícios eles trazem para a humanidade.

Em outros extremos eu não tenho a menor vontade e interesse em quem teve a ignóbil imaginação. Pólvora, dinamite e armas de fogo  por exemplo. Quanta desgraça trouxeram para a humanidade.

Sobre a pólvora há uma estória que cheira a verdade. Desacredite quem for cético. Conta-se que em um  reino, lá pelas terras da China, havia um gigante e um anão, e este era humilhado e sovado pelo grandão. O pequenino não aguentava mais  de tanto apanhar. Até que um dia apareceu-lhe um anjo das trevas e lhe ensinou um meio, no caso uma substância (na verdade uma composição de nitroglicerina) com a qual ele poderia vencer o tirânico gigante. Recurso aprendido e empregado no próximo confronto. No primeiro encontro com seu antigo carrasco não deu outra. Ao primeiro safanão que o anão levou, ato contínuo ele detonou uma bomba nos pés de seu algoz espatifando-o pelos ares. Foi daí que surgiu a pólvora. Uma diabólica invenção.

E assim perpetuou a humanidade nos seus confrontos. Hoje, a pólvora e sua parente como a dinamite e os artefatos atômicos continuam fazendo a diferença. Algo terrificante  de se constatar e de ver até nos meios diplomáticos. Quer exemplo mais claro do que a Coreia do Norte (ou da morte)? Volta e meia assistimos às bravatas e escaramuças do ditador Kim Jon Un em encenações e, se preciso for, empregar suas bombas atômicas. Como consequência,  pelo  medo do diabo colocar seu plano em ação, os gigantes ocidentais (EUA por exemplo) se recuam e nada podem fazer contra as atrocidades e paranoias daquele regime. O mesmo se dá com muitos outros tresloucados terroristas como os do Isis, e fundamentalistas que volta e meia detonam seu artefatos vitimando dezenas de pessoas inocentes.

Um outro invento que não tenho o menor esforço um saber da infeliz ideia foi a tal de arma de fogo portátil. Se observarmos de forma realística foi uma concepção diabólica mesmo. A produção em massa de armas de fogo se dá no mesmo espírito do embate (estória) do gigante x o  anão que apanhava. Vamos à estatística brasileira. O número de homicídios e feminicídios no Brasil por ano se equipara ao de  qualquer registro  de guerra, 50.000 mortos/ ano. No Brasil, temos uma legislação no mínimo bizarra, de absoluto contra senso, quanto ao uso de armas de fogo. Ao cidadão de bem e honesto é proibido o porte e posse de arma de fogo. Para o bandido não faz diferença. Um crimezinho  a mais por andar com arma roubada pouco lhe fará diferença.

Agora loucura e esquisitice maior se dá nos EUA. Lá não há tantos bandidos e tantas leis (não cumpridas) como aqui. Todavia, todo cidadão com CPF ou  RG  e endereço pode ter uma pistola ou um fuzil. Numa análise rasa e simples, vá lá entender o que pensam os legisladores americanos, um país considerado o maior guardião da democracia, o maior representante e membro mais forte da ONU, o mais eloquente defensor dos direitos humanos. Com todos esses predicativos, o país acha normal cada americano ter e portar quantas armas de fogo ele quiser.

Não é sem razão que volta e meia ocorrem assassinatos brutais, execuções e carnificinas por algum psicopata em escolas e outras instituições. É a típica estória de algum gigante, metaforicamente falando (escolas, supermercados, órgãos públicos) que se vê atacado pela pólvora de algum anão instruído e inspirado pelo diabo. Que horror.            out/2015

 

(João Joaquim – médico – articulista DM – [email protected] – www.jjoaquim.blogspot.com)

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