Unidade e dinamismo do universo
Redação DM
Publicado em 26 de junho de 2016 às 02:39 | Atualizado há 10 anosComo se percebe, na mesma plana de raciocínio da Física moderna, os místicos orientais afirmam que o universo é, ao mesmo tempo, uno e dinâmico.
Todavia, demonstramos em nosso livro, Deduções Filosóficas e Induções Científicas, ainda inédito, nos títulos 43 a 45, da 3ª Parte, que, não obstante o universo ser uno e dinâmico, ostenta-se, também, através da natureza, em incontestável dualidade, nos seres orgânicos e inorgânicos. O assunto estrutura-se nas questões 21 a 28, de “O Livro dos Espíritos”, e está sobejamente explorado nos mencionados Títulos.
A visão espiritista da questão é respaldada, embora em termos, por razões óbvias, nas religiões filosóficas do Oriente.
No título nº 8, da 1ª Parte, da mesma obra inédita, a questão está cristalina, no sentido de se admitir a dualidade da natureza, no universo.
De fato, monismo do universo e dualismo da natureza se harmonizam. É esta, no fundo, a verdade que promana das grandes religiões da humanidade, inclusive o cristianismo, espontânea e vigorosa síntese de todas elas.
O sentido filosófico, pois, das manifestações místicas do Oriente é no sentido de que tudo que aparentemente existe, não existe na realidade absoluta.
Em “O Tao da Física” (Editora Cultrix/São Paulo/SP – 24ª edição da 1ª impressão – 1995 – cap. 13, p. 147), Fritjof Capra surpreende-nos com o seguinte texto filosófico, que merece nossa abnegada reflexão, para que encontremos o núcleo da questão, que se esconde, quase sempre, no impalpável:
“A representação geral que emerge do hinduísmo é a de um cosmos orgânico, crescendo e movendo-se ritmicamente; de um universo em que tudo é fluido e em permanente mudança, em que todas as forças estáticas são maya, ou seja, existindo apenas como conceitos ilusórios. Essa última ideia – a impermanência de todas as formas – é o ponto de partida do budismo. Buda ensinou que “todas as coisas compostas são impermanentes” e que todo o sofrimento presente no mundo deriva de nossa tentativa de apego a formas fixas – objetos, pessoas ou ideias – , em lugar de aceitarmos o mundo à medida que este se move e se transforma. A concepção dinâmica do mundo encontra-se na raiz mesma do budismo. Na palavra de S. Radhakrishnan:
“Uma filosofia maravilhosa de dinamismo foi formulada por Buda há 2.500 anos. […] Impressionado com a transitoriedade dos objetos, a mutação e as transformações incessantes das coisas, Buda formulou uma filosofia da mudança. Nela, reduz substâncias, almas, mônada e coisas a forças, movimentos, sequências e processos a adota uma concepção dinâmica da realidade.”
2 – Logo de início do citado capítulo, à página 146, o autor, com base na experiência arquimilenar das doutrinas orientais, transmite-nos conceitos de que estamos, à primeira vista, longe de entender, demonstrando que é no imponderável que se encontra a realidade de tudo.
Eis o trecho:
“O objetivo central do misticismo oriental consiste em vivenciar todos os fenômenos do mundo como manifestações da mesma realidade última. Essa realidade é vista como a essência do universo, sustentando e unificando todas as coisas e eventos que observamos…”
3 – E, no propósito de esclarecer com expressões mais simples e acessíveis, acrescenta Fritjof Capra:
“Na filosofia indiana, os principais termos utilizados pelos hindus e pelos budistas têm conotações dinâmicas. A palavra Brahman deriva da raiz sânscrita brih – crescer –, sugerindo uma realidade sempre dinâmica e viva. Nas palavras de S. Radhakrishnan, “a palavra Brahman significa crescimento e sugere vida, movimento e progresso”. Os Upanishads referem-se a Brahman como ”aquilo que não possui forma, que é imortal, que se move”, associando-o assim ao movimento, embora transcenda todas as formas.”
4 – Pelo que resulta apurado, a 3ª Revelação amplia o entendimento das doutrinas orientais, no encalço também do resultado das induções científicas, particularmente no campo da Física moderna e das deduções filosóficas, demonstrando que ela realmente envolve os três aspectos fundamentais do saber.
Para maior clareza do assunto, permitimo-nos registrar, ao ensejo, a questão 27, de “O Livro dos Espíritos”, das Potestades Superiores a Allan Kardec:
- Há então dois elementos gerais do universo: a matéria e o espírito?
“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo e que existe, a trindade universal…”
(Weimar Muniz de Oliveira, [email protected])