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Vegetarianismo salva a saúde do homem e o clima do mundo

Redação DM

Publicado em 7 de outubro de 2015 às 22:42 | Atualizado há 11 anos

A maioria das doenças surge como consequência de maus hábitos alimentares. Mas vivemos numa época em que, não só a nossa saúde está ameaçada, mas também a do planeta. A cultura e o consumo da carne atuam para provocar sérios problemas, como o aquecimento global, o desflorestamento e a poluição das águas. Diante da contagem regressiva para a maior conferência internacional sobre o Clima (entre 30/11 e 11/12/2015, em Paris) é hora de cada um refletir, assumir responsabilidades e mudar hábitos.

O combate ao aquecimento do planeta tem que começar à mesa. O aviso é de estudo publicado na revista Nature Climate Change. “Esse não é um argumento vegetariano radical”, alerta Keith Richard, professor de geografia da Universidade de Cambridge e um dos autores do estudo, mas resultado de estudos científicos sobre efeitos concretos.

Ao analisarem dados sobre o uso da terra na agropecuária, em um modelo que compara cenários climáticos para 2050, os autores concluíram que é preciso cortar a quantidade de carne no prato. Também de acordo com  pesquisadores ingleses e australianos, se o padrão de consumo da carne continuar, continua também o aumento da emissão de gases de efeito estufa.

E o vegetarianismo entra em cena como uma alternativa economicamente e ecologicamente correta. Para você alimentar com carne 20 pessoas, por exemplo, precisa de 100 acres de terra para a criação de gado. E com a mesma quantidade de terra, produzindo trigo, daria para alimentar 240 pessoas. Mais de 10 vezes!

A cada 6 segundos morrem pessoas no mundo de fome e uma das causas dessa tragédia é justamente o fato da população mundial não dispensar a carne à mesa. A metade da floresta do planeta foi transformada em pasto. E muitos desses pastos, que eram ocupados por florestas e produziam alimentos naturais, viraram plantação de grãos para a engorda do gado ou para a criação do mesmo. E com isso os países pobres acabam alimentando o gado com os grãos, para satisfazer a gula da comercialização da carne.

Com o crescimento da população no mundo, urge repensar seriamente  essa questão. A extinção da florestas leva à extinção de 1.000 espécies por ano. Nos EUA, mais de 260.000.000 de acres de florestas foram destruídos e transformados em plantação, para produzir grãos destinados à produção de ração para o gado. Hoje temos mais cabeças de gados do que seres humanos. E isso contribui muito para o efeito estufa.

Outra questão muito importante é a escassez da água potável em nosso planeta. Para preservar as reservas hídricas, precisamos diminuir o consumo da carne. Para produzir apenas um quilo de carne, gasta-se 43.000 litros de água. Agora para produzir um quilo de soja, usa-se apenas 2.000 litros. Para produzir um quilo de trigo, usa-se 900 litros e para produzir um quilo de batatas, 630 litros de água.

Para melhorar o nosso planeta,  cada um tem que se conscientizar da necessidade de se diminuir o consumo da carne. Faz bem para você, faz melhor ainda para o planeta.

Ao consumir carne com responsabilidade, você não só mantém as populações mais saudáveis, mas também reduz drasticamente pressões críticas sobre o meio ambiente. Produtos de origem animal causam mais danos ambientais do que a fabricação de minerais de construção, como areia e cimento, de plásticos e de metais. Vamos gerar menos impactos ambientais em nosso planeta, com a diminuição do consumo dos produtos de origem animal.

 

(Wilson Lacerda é acadêmico, estudioso e militante do vegetarianismo)

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