Velho mundo de fantoches e fetiches modernos
Redação DM
Publicado em 12 de outubro de 2016 às 02:57 | Atualizado há 10 anos“Não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores.” (Efésios, 4.14)
Capitalista e eletrônico, o mercado internacionalizado fomenta o “niche” (trabalho profissional, em rede) das paixões, disponibiliza fetiches de sal e doce, propala juramentos no “ménage à trois” das ilusões carregadasde uma dorperene que derrete por debaixo do calor daslínguas que mentem verdades da alma, as mais vis, ardentes, e, nos últimos dias, assassin as paixões. Na prateleira dos egos, efêmera, consumista e moderna, o sumo do pecado é negociado num estojo cravado a pecados bordados com a torpe e tênue linha riscada avagas lembranças de pico breve, seco, e… com final amargo. O jogo de cena – midiático – fabrica personalidades que duram parte de programa, uma cena ou a foto da acadêmica roubada em noite de orgia que vara o dia na abstinência, caso da ‘escritora’ Bruna Surfistinha,que recomenda: “Toda garota de programa sabe que é preciso ter cuidado com as unhas, proteger o dedo com camisinha e não esquecer o gel lubrificante” (2007, p. 17)
A pesar da importância conjuntural do livro Na Cama com Bruna Surfistinha os nossos mares estão à beira do colapso, denunciam os satélites espiões que vasculham ouro “aroundtheword” na bateia moderna composta porvastas áreas, consideradas mortas,que estão se expandindo no Oceano Pacífico. Gota de esperança, ano passado, foi quebrado o recorde de áreas marinhas protegidas, sobre as quais cientistas afirmam que “se a humanidade decidir conservar apenas 30% das águas salgadas universais o fato carregaria consciência ambiental suficiente para recuperar, quem sabe, o que ainda resta de líquido e liquidez no planeta azul”, redondo, tocado a ambição de mentes quadradas que rodeiam a mesa de negociações do Congresso de Conservação Mundial (iniciado em 2 de setembro, e, do qual o Brasil participa)composto por 180 governos dispostos a votar e definir um padrão global para proteger humanos e oceanos até 2030.
A votação não tem poder de lei, no entanto dá base ao acordo obrigatório mundial a ser discutido. Fora da discussão, tribos que sobrevivem e interagem nas costas marítimasespalhadas pelo planeta as quais alimentam o mercado e se alimentam com os frutos dos sete mares. Políticos com poder de guerra, engravatados, incapazes de contar da força e frequência cabalar das ondas, assopradas por Iemanjá, representantes de países fortes no ‘lobby’ da pesca, como o Japão. Estes opõem ao plano que atende demandas do meio ambiente cujo domínio foge às rédeas democráticas representadas no poder popular mas que pode se tornar na grande virada da maré em defesa dos oceanos diretamente ‘desviados’ em suas funções universais pelos ditames ditatoriais armados em poder e lucro estruturados no poder de força dos canhões direcionados ao resto do mundo. Desigual e, em rede, o resto da coletividade segue domesticado pordonos da decisão de rabo preso a Congressosinvasores.
Na grande maioria, ocidentais, os propaladores da guerra por lucro dão ênfase à metáfora do corpo (igual à comunidade), segundo Paulo: “Aqueles órgãos do corpo que parecem ser ‘mais fracos’ são os mais necessários. Os ‘menos dignos’ são os que têm mais honra. Os ‘menos decentes’ são os que têm maior decência. Deus deu ‘maior honra’ ao que é ‘menos nobre’” (apud Ferreira & Araújo, 2016, p.13.A barca, ou, a Nau dos Loucos – dissecada por Foucault- balança ancorada na tormenta pós-moderna imersa em vulgaridades. Apesar da ressaca capitalista, numa costa qualquer, e, ao Nordeste do Brasil, porção continental movida a samba, futebol, bundas e corrupçãoespraiada ao Sul do Equador, um sanfoneiro, alheio à sinfonia da loucura urbana, mira o céu que encanta, e, num repente de uma nota só, canta os mambembes modernos, doentes a sós, certo de que tudo na política é permeado por divisão e o aparecimento de fantasmas em carne, ossos, sangue e dinheiro, como o americano candidato à Presidência do país mais rico e invasor do mundo.
Mister Casino, falido, Trump é um pesadelo montado no cavalo do cifrão.Para o mundo moderno ele afirma que, se eleito, irá proibir a entrada de muçulmanos no país, ignorar acordos globais sobre mudanças climáticas, assassinar famílias e pessoas suspeitas de terrorismo. Incapaz dediscernir escolas a céu aberto, na África, da negação dedivisão das riquezas socialmente produzidas no centro do mundo, alimenta as nuanças do ódio e pretendeadubar o canteiro de países periféricos com armas nucleares.Ao que se mostra anotícia ou manchete da conjuntura mundial não passa detrecho abortado de um belo livro, segundo FREYRE: “Úmido das entranhas de algum prelo moderno” […] “por toda parte é, hoje, melancolicamente inferior ao que foi nos seus começos, quando mal saída da caligrafia e da iluminura – a arte do impresso” (1979, p. 219). Coringa no baralho marcado da política ianqueTrump coloca americanos uns contra os outros sem olvidaros seres sociais fantoches do sistema, a sociedade sem face que foge à logística de guerra dos ricos espalhada pelo mundo.
Os imigrantes são estopins da terceira guerra num mundo extremamente desigual e violento destinado à miséria da razão. Trump, o promotor do protofascismo, enfrenta a união inédita, entre americanos, povos e raças que povoam o mundo – um esforço global sem precedentes direcionado à ampliaçãodaconsciência do eleitorado daquele país e da militância pela paz internacional, que busca derrotar o ódio e a divisão da política alucinada,inspiradana politicalha covarde determinada por “Donald Trumps” de países capitalistas. Os promotores da escravidão moderna, internauta e alienada, roubamo trabalhador em direitos,estancam o acesso democrático aos Direitos Humanos e Universais, poderosa lição positiva para a contemporaneidade, que inclui na possibilidade do futuronossos filhos e netos naturais ou adotados.
A coerção usada como recurso de poder assume variadas formas identificadas com as protoformas da sustentação jurídico-ideológica ao expurgo, definindo quem é capaz de ser punido, quando e por que, e, por outro lado, define o conjunto de reformas políticas que formalizam as novas regras do jogo político mundial hegemônico, violento e deextremada vulnerabilidade econômica e social.A roda do mundo é antiga, hoje, tocada por fantoches modernos escravos do sistema que perpetua senhores do poder donos de corpos, destinos e… também das almas.
E o pulso… ainda pulsa!
(Antônio Lopes, filósofo, escritor, mestre em Serviço Social/PUC-Goiás e mestrando em Direitos Humanos/UFG)