Verdadeira gincana no escuro
Redação DM
Publicado em 28 de dezembro de 2016 às 01:38 | Atualizado há 10 anosDesemprego ultrapassando a linha dos 12 milhões de pessoas, Operação Lava-jato que surpreende a cada dia, Lei da intimidação, dólar na gangorra, ex-governador que comprou mais de R$ 5 milhões em jóias por um sistema contábil invisível em um Rio de Janeiro falido. Estes são alguns dos assuntos que fazem parte do cardápio das conversas da clientela do churrasquinho de esquina até os mais sofisticados salões da sociedade brasileira.
Temas e situações que angustiaram e parece revelar próximos meses tenebrosos na área econômica. Vale lembrar que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, faz uma previsão otimista para 2017, no entanto percebemos que o prognóstico esbarra em números atuais de um Produto Interno Bruto (PIB) sonolento, sem reação, e a queda dos níveis de investimento.
O sentimento de alerta toma conta da alta esfera de poder do País podendo até tombar o ministro “confiante”. O resultado na base da pirâmide econômica deixa mais cauteloso o cidadão comum. Aquele mesmo que faz parte dos 66% das famílias que ganham até R$ 2034, segundo próprio relatório do Governo Federal.
A prudência é possível perceber de forma clara no comércio de rua e até shoppings do nosso Estado.
A cabeça de empresários e dos empregados ferve as vésperas de um Natal que, por enquanto, não tem como mensurar o volume de vendas futuras. Constatamos uma corrente viva onde empresário quer salvar-se de um possível prejuízo e o empregado tenta bater metas e manter o emprego. Verdadeira gincana no escuro.
Até tentamos ser otimistas quanto aos resultados, mas o risco de fracasso para todos é grande. Um dos obstáculos é o próprio poder público que não consegue nem mesmo montar com a beleza de outrora a decoração natalina. Realmente é inquietante.
A explicação da administração atual é que faltou dinheiro. Agora pensa !!! Se o Executivo Municipal diz que não pode gastar por falta de verbas… como fica o pensamento do consumidor?
De medo, obviamente. Este mesmo consumidor, pobre ou rico, que teve queda na renda média em 1,3%, em via contrária à inflação do bolso do trabalhador que já contabiliza, por exemplo, o quilo da carne bovina até 17% mais cara que no ano passado. Claro que para o Governo esta mesma inflação não ultrapassa os 8% em 12 meses.
O dezembro promete ser realmente de moderação intensa que deverá adentrar 2017 mais uma vez dando o tom das conversas e medos entre nós, os pagantes
(Eduardo Amorim, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio no Estado de Goiás (Seceg) e da Federação dos Trabalhadores no Comércio nos Estados de Goiás e Tocantins (FETRACOM GO/TO) e diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio – CNTC)