Verdadeiro derrotado nas eleições da OAB-GO de 2021
Redação DM
Publicado em 24 de novembro de 2021 às 18:39 | Atualizado há 5 anos
O poeta baiano Castro Alves, revolucionário da luta abolicionista, em seu poema “O Século”, escreveu em 1865, na última estrofe que “quem cai na luta com glória, / tomba nos braços da História, / no coração do Brasil!”. Isso porque nem sempre quem perde uma batalha é derrotado.
Foi assim com a Batalha das Termópilas em 480 a.C., quando Leônidas I, Rei da cidade-Estado de Esparta, com um exército infinitamente menor enfrentou por apenas três dias o temido exército persa liderado por Xerxes I, e mesmo tendo perdido a batalha, consagrou-se em uma lenda. Tanto por sua bravura, quanto pela importância que teve seu ato de resistência, que segurando o avanço das tropas inimigas, possibilitou a vitória grega nas batalhas de Salamina e Plateias, que encerrou a Segunda Guerra Médica.
O mesmo ocorreu aqui no Brasil, com a Revolução Constitucionalista de 1932, quando o povo do Estado de São Paulo se levantou em armas contra a Ditadura Vargas, reivindicando uma Constituição. E mesmo tendo perdido a revolução conseguiu que uma Constituinte fosse convocada.
Não foi diferente nas Eleições da OAB-GO de 2021. Embora tenhamos perdido a eleição, é certo que foi o atual Presidente Lúcio Flávio o verdadeiro derrotado nessas eleições. Tendo em vista a maioria da advocacia manifestou sua desaprovação à gestão, que agora se verifica, não pelos levantamentos estatístico de amostragem de pesquisas, mas sim pela voz soberana e retumbante das urnas.
Explico. O candidato apoiado pelo atual Presidente da OAB-GO, Lúcio Flávio, mesmo com toda a estrutura da gestão e vultuosos gastos, obteve apenas 39,57% dos votos válidos (7.279). Enquanto que os demais candidatos (Pedro Paulo com 34,11%, Rodolfo Otávio com 14,92%, e Valentia Jungmann com 11,40%) somaram 60,43% dos votos válidos. Ou seja, a maioria das advogadas e advogados, que compareceram às urnas, votaram contra a atual gestão. Se consideramos os faltosos, o percentual do candidato eleito diminui ainda mais, posto que a votação do candidato da situação representa apenas 28,43% das advogadas e advogados que estavam aptos a votar. E considerando o total de ativos em Goiás (40.644), o percentual é ainda menor, posto que os votos do candidato da situação passa a representar somente 17,90% das advogadas e advogados ativos.
Como não há segundo turno nas Eleições da OAB, o voto da minoria é capaz de eleger não só o Presidente, mas também toda a Diretoria, todo o Conselho Seccional, toda a Diretoria da Casag, e ainda toda a bancada para o Conselho Federal.
Tenho imenso orgulho de ter sido partícipe de um ato histórico, ao ser candidato ao cargo de Secretário-Geral na chapa que teve a brava advogada Valentina Jungmann, como a primeira mulher candidata a Presidente da OAB-GO em quase 90 anos de história.
Perdemos a eleição, mas em momento algum desejei estar ao lado dos que a ganharam, e seguirei defendendo o que acredito e lutando pelas mudanças que já passaram da hora de serem alcançadas.