Viver
Redação DM
Publicado em 1 de junho de 2017 às 01:15 | Atualizado há 9 anos
Que pena vocês não acreditarem que a felicidade está no trabalho, na decisão firme de progredir moralmente, mesmo sem qualquer influência religiosa. Que pena vocês não conhecerem a verdadeira felicidade que não se encontra nas coisas do mundo, mas nas construções intrínsecas, nas edificações interiores, na valorização das menores virtudes, delas fazendo motivos de alegria e esperança para os outros, que pena…
…Pois eu lhes asseguro que fortuna, passeios, gozos, deleites de qualquer espécie, títulos, posições, e mesmo ter mundo nas palmas das mãos, não constituem a ventura real, porque esta não se edifica de fora para dentro, mas do coração da gente para o coração do próximo.
E tudo na vida é belo! Nada existe que possa perturbar a paz de quem sabe sentir o valor da existência, mesmo que seja sua existência constituída somente de dores e martírios inomináveis, pois a felicidade real de quem sabe amar anestesia a aflição e adormece a tristeza, acende estrelas nos firmamentos mais escuros e faz brilhar o sol em dias de chuvas torrenciais!
E eu fico a imaginar como podem certas criaturas pensar na morte, quando é tão bom viver para servir aos outros, quando é tão saudável sofrer para ver feliz o semelhante, quando é indescritivelmente confortante ver em tudo e em todos somente o lado bom.
Vocês não podem imaginar quanta ventura podemos sentir não acreditando no mal. Nem podem calcular o júbilo que se experimenta não agasalhando tristeza no coração. Os senhores sabem que não existe bonança mais intensa do que acreditar, sempre, na redenção de todos? Sim. Porque ninguém está fadado a sofrer sempre. Sofre apenas quem quer, quem permanece renitente no erro, quem não sabe crer que a dor é amiga, uma grande, maravilhosa, divina, sublime companheira e mestra!
A dor é uma chave que pode abrir as portas dos céus interiores se a soubermos usar com dignidade, com uma dose de tolerância, com um sorriso nos lábios e um clarão de fé brilhando, permanentemente, na própria alma.
Ah, quando a morte vier, naturalmente, sem ser imposta pelas sombras do pessimismo, os senhores haverão de sentir que ela é a continuação da felicidade, dessa ventura que aprenderam a construir no decurso de sua vidas, quando caminhavam sofrendo pelas estradas da vida, sorrindo sempre, e com aquela esperança tão intensa que fazia palpitar, cada vez mais, sua felicidade interior.
(Iron Junqueira, escritor)