Vorcaro teria pago R$ 30 milhões por filme de Lula em troca de acesso a fundos de pensão
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 11:25 | Atualizado há 50 minutos
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria relatado pagamento para a produção de um documentário sobre o presidente Lula, segundo áudio divulgado pela revista Veja (Foto: Reprodução)
Um suposto acordo envolvendo o Banco Master, a produção de um filme sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fundos de previdência de servidores federais é o centro de relatos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas pela revista Veja nesta sexta-feira (9), ele teria mencionado o repasse de R$ 30 milhões ao Instituto Lula, presidido por Paulo Okamotto, e uma negociação que poderia envolver bilhões de reais em recursos de fundos de pensão.
O conteúdo foi revelado a partir de um áudio atribuído a Vorcaro. Na gravação, o proprietário do Banco Master menciona a produção de um documentário sobre o presidente e afirma que o pagamento relacionado ao filme teria sido feito “por fora”. Os relatos também apontam uma suposta negociação com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para que o dinheiro fosse entregue à instituição em espécie.
As informações chegaram à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o órgão decidiu não dar continuidade ao caso. A avaliação foi de que não havia comprovação material suficiente para sustentar as alegações sobre os pagamentos.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, teria informado à Procuradoria que possui elementos para comprovar os relatos. Os advogados citaram mensagens de WhatsApp, capturas de tela, dados de identificação de pessoas que teriam buscado o dinheiro e informações sobre os trajetos e os locais envolvidos na operação.
Suposta negociação envolveria R$ 10 bilhões
Além do valor relacionado ao documentário, os relatos atribuídos a Vorcaro mencionam uma possível cobrança de 10% sobre os recursos que o Banco Master captasse junto aos fundos de previdência da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
Segundo a versão divulgada pela Veja, a negociação teria previsto a divisão de R$ 10 bilhões. Desse total, R$ 1 bilhão seria destinado ao PT, enquanto R$ 9 bilhões ficariam com Vorcaro. Não há, nas informações apresentadas, confirmação de que esses valores tenham sido efetivamente transferidos ou de que o acordo tenha sido executado.
Em um trecho do áudio, o banqueiro cita o Banco do Brasil, Augusto Lima, o Instituto Lula e o filme sobre o presidente. A transcrição divulgada pela revista registra a seguinte fala:
“Banco do Brasil, a gente estruturou isso com ele. O Augusto adianta ali para o Okamoto, Instituto Lula. E aí tem o negócio do Lula. O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora. Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio”.
Na gravação, Vorcaro também menciona um filme relacionado a Flávio Bolsonaro e diferencia a forma como os dois projetos teriam recebido recursos. Sobre a produção ligada a Lula, ele afirma que o pagamento ocorreu “por fora”. A fala, isoladamente, não comprova a realização dos repasses mencionados.
Augusto Lima teria articulado aproximação com o PT
A aproximação entre o banqueiro e integrantes do partido teria sido organizada por Augusto Lima, então sócio de Vorcaro e CEO do Banco Master. De acordo com a publicação, a articulação teria contado com a participação de Jaques Wagner (PT-BA), que, à época, era líder do governo no Senado.
Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, realizada em junho de 2026. A investigação apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas e utilização de aeronaves ligadas ao grupo. Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie em endereços associados ao senador.
O projeto cinematográfico sobre Lula seria realizado no exterior e reuniria depoimentos de aliados do presidente, entre eles o advogado Walfrido Warde. Os relatos também mencionam um segundo pagamento ao Instituto Lula, mas não especificam o montante.
Apesar das informações encaminhadas, a PGR não avançou com o caso por considerar insuficientes os elementos materiais apresentados. A ausência de provas consistentes sobre os pagamentos em dinheiro vivo foi apontada como motivo para a decisão. Dessa forma, os supostos repasses e a negociação envolvendo os fundos de previdência permanecem como alegações que não foram comprovadas pelas informações divulgadas.