Zacharias Calil: “Só serei em 2026 candidato ao Senado”
Redação DM
Publicado em 18 de janeiro de 2023 às 15:22 | Atualizado há 3 anos
O deputado federal reeleito Zacharias Calil afirmou que só tem um projeto eleitoral para 2026: concorrer ao Senado e, caso o União Brasil não ceda espaço na chapa majoritária, não irá postular nenhum cargo eletivo.
Zacharias Calil diz que participará da campanha de 2026 somente se puder ser candidato a senador e que a decisão se dá, sobretudo, pela família e qualidade de vida. “Durante o meu mandato, não pude viajar para congressos de medicina ou com minha esposa. Eu já fiz a minha parte: queria conhecer a política e o que é o Congresso Nacional. Caso eu não seja eleito senador em 2026, então pronto, vou aproveitar a minha vida”, afirmou ao Jackson Abrão Entrevista, do site do jornal O Popular.
O deputado do União Brasil chegou a sinalizar que concorreria ao Senado na campanha eleitoral de 2022. “Eu havia decidido que não sairia como candidato na última eleição caso não fosse para o Senado e trabalhei em cima disso com pesquisas. Em 15 dias, eu cresci 2%, eu tinha um grande potencial de eleição, mas meu partido só tinha uma vaga”, falou.
Zacharias revela que chegou a conversar com o governador Ronaldo Caiado (UB) e pediu um prazo para ver se crescia mais nas intenções de voto, mas Caiado optou pelo nome do delegado Waldir Soares (UB), que estava à frente nas pesquisas. Após a negativa, Zacharias informou ao governador que não sairia como deputado federal e justificou a decisão por estar sendo pressionado pela família e pela qualidade de vida, que diminuiu com a vida política. Então, o médico disse que Caiado pediu para que ele não desistisse e que pudesse concorrer como deputado federal.
Votação menor
Zacharias Calil recebeu 87.919 votos ano passado, quase 64 mil a menos que em 2018, quando foi eleito com 151.508 votos. O deputado explica que o fenômeno aconteceu em todo o Brasil e que pode ter sido motivado pelo anseio da população em mudanças, o fim das coligações partidárias, pela polarização política e por sua campanha “humilde”. “Eu trabalhei praticamente somente em Goiânia, eu não tinha muito tempo para viajar por todo estado de Goiás”, disse.
Zacarias Calil é médico e já realizou 21 cirurgias de separações de gêmeos siameses. Como a medicina e a política fazem parte da história de Calil, Jackson Abrão questionou o que pesou mais para seu êxito político e Calil reconhece que os dois pontos foram essenciais. “A vantagem de ser político é muito grande, pois se você não tiver vontade política você não vai a lugar nenhum. E como político eu consegui trazer muitos recursos para a área da Saúde em Goiás. Para mim, a medicina e a política são gêmeas siameses, andam juntas”.
Governo de Lula
Zacharias chegou a pedir ao União Brasil para que pudesse fazer oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara Federal. Segundo ele, isso se justifica pelo fato de sempre ter trabalhado de forma independente.
Zacharias diz que quando fazia parte do antigo DEM (que se tornou União Brasil após junção com o PSL), o partido já fazia oposição ao governo PT e, por isso, não faz sentido “mudar de lado” agora. O UB possui dois ministros no governo de Lula: Daniela Carneiro, do Turismo e Juscelino Filho, das Comunicações. “Minha ética não permite isso [apoiar o atual governo]. Se eu era oposição, agora porque mudou o governo vou passar do lado de cá? Comigo não tem esse toma-lá-dá-cá”.
O parlamentar diz que ainda não vê uma situação definida e que é preciso esperar ao menos três meses para conseguir avaliar. “São muitas mudanças e demissões. Até as coisas se ajeitarem, vamos ver os resultados”.
Ele também se diz preocupado com a quantidade de ministérios criados pelo governo petista.
Covid-19
Zacharias foi o único goiano a participar da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid. De acordo com o médico, foram realizadas mais de 100 reuniões e outros 500 convidados. O deputado destaca que o Sistema Único de Saúde (SUS) teve a principal contribuição no combate à doença. “Se nós não tivéssemos o SUS, essa pandemia teria sido muito pior”. Como erros, Zacharias aponta o atraso na compra e distribuição da vacinação.
O médico-deputado diz que gostou da escolha da cientista e pesquisadora Nísia Trindade Lima como ministra da Saúde. “Acho importante ter uma pessoa técnica no Ministério da Saúde (MS), ter alguém que tenha conhecimento de todas as áreas, principalmente das ações básicas”. Mas o Zacharias alerta que a grande questão do MS é ter o conhecimento profundo sobre o SUS e de como os recursos são aplicados.
Destinação de emendas
O deputado federal destinou quase R$ 250 milhões para Goiás e informou que faz um documento de todas as emendas destinadas e entrega ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) para que o órgão possa fiscalizar a aplicação do dinheiro. Contudo, Zacharias reconhece que é difícil fiscalizar alguns tipos de emenda. “Não é fácil chegar em um município e pedir para que a prefeitura apresente as contas”.
Jackson Abrão questionou se as prefeituras possuem uma estrutura técnica e política não sabe lidar com os procedimentos para buscar as verbas destinadas e Zacharias diz que possui uma assessoria de Orçamento, que acompanha municípios com pedidos de recursos.
Governo Caiado
Zacharias diz que sua relação com o governador Ronaldo Caiado está “tranquila” e que ficou feliz pelo político ter citado o seu nome de forma positiva no dia da posse como governador reeleito.
Calil afirmou que não participa de discussão sobre indicação de nomes para o secretariado de Ronaldo Caiado, pois acha que “deputado não tem que ser dono de secretaria” pois isso acaba sendo um “trampolim político”, dando errado na maioria das vezes. Zacharias acha que Caiado precisa escolher cargos técnicos.