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Diário da Manhã é um patrimônio de Goiás, segundo Carla Monteiro

Jornalista atuou no impresso por dez anos. DM completa 40 anos de existência neste mês.

diario da manha
Redação do DM na década de 80.

Na década de 1970 em Goiânia, existia o jornal Folha de Goiás, O Popular e um semanário poderoso que era o Cinco de Março. Às segundas-feiras, dia em que saiam suas edições, não tinha para ninguém. É o que explica a jornalista Carla Monteiro. Segundo ela, em média, eram vendidos de 60 a 70 mil exemplares por edição. “Quem comandou o jornal nos últimos cinco anos foi a Consuelo Nasser. Ela juntou uma boa grana, sempre foi boa administradora, além de uma jornalista excelente, de um texto refinadíssimo. Ela lia muito”.

O semanário deu origem ao Diário da Manhã. O jornalista Batista Custódio montou o jornal com o chamado Time dos Sonhos. Carla Monteiro, o divide em três fases. Durante a primeira, haviam profissionais de São Paulo, do jornal O Popular e do Top News. “Todos muito bons”, ressalta. Já a segunda fase, começa em 1986 e vai até 1994.

DM sempre foi vigilante das instituições e defensor da sociedade civil.

“O João Bosco era o editor, o Euler Belém era repórter depois virou editor de economia e mais tarde Diretor Executivo. Tinha o Ferreira Junior e o Deusimar Barreto. Era uma turma jovem, mas muito promissora. Nós tínhamos como modelo a Folha de São Paulo, que era o melhor jornal, o melhor texto”, explica.

A terceira fase começa em 1995 e vai até 2018. A jornalista diz que esse foi o período do jornalismo opinativo, remetendo ao jornalismo francês. “Acho que é um período de transição ainda”, considera. A quarta fase está sendo construída com Júlio Nasser. Pelo jornal já passaram escritores, secundaristas, artistas e intelectuais como Javier Godinho, Zé Elias e Armando Acioli.

Experiência no jornal Diário da Manhã

Carla Monteiro é jornalista há mais de 30 anos. Foto: Diego Araújo.

Carla Monteiro trabalhou no Diário da Manhã de 1986 até o primeiro semestre de 1995. Guarda excelentes lembranças. “Tanto do Diário da Manhã, quanto do ethos todo da nossa época, das matérias, do trabalho, do serviço de apuração. Era muito bom”, relembra.

Para a jornalista, o Diário da Manhã é como um jornal-escola. “Acho que é uma fama que ele tomou a partir da segunda etapa dele”. Ela acredita que o jornal, que foi o primeiro jornal a entrar online e trabalhar de segunda a segunda, vai ter uma nova nuance com Júlio Nasser.

“Ele vai ser um jornal profissional de online para os moldes de Goiás. Eu boto fé nisso porque o Júlio é muito inovador, muito tranquilo. Ele tem a mesma coisa que a mãe dele tinha: ele prima primeiro pelos funcionários, para depois pensar no bem-estar dele. Eu conheço isso dele”.

Durante a segunda etapa, havia aprofundamento maior dos textos, mesmo com menos recursos que outros jornais da época, que tinham até mesmo avião à disposição. Carla Monteiro relembra o episódio do sequestro da filha de um empresário da área de transportes em Goiás, que durou 52 dias. Mesmo contando com três repórteres, o Diário da Manhã fez um caderno, que esgotou em três horas de circulação. “Nós tivemos que mandar reimprimir, atualizamos algumas coisas, fizemos a segunda edição do caderno, reimprimimos 50 mil exemplares na segunda edição”. A concorrência havia feito seis páginas sobre o caso.

Patrimônio de Goiás

Redação do DM na década de 90. O jornal circula na internet desde 1993.

Segundo a jornalista e escritora Carla Monteiro, o jornal Diário da Manhã contribuiu muito com a comunicação e cultura do Estado e pode ser considerado um patrimônio de Goiás, independentemente de questões de bastidores. “Passaram as melhores ‘cabeças’ por lá. É um patrimônio. É um jornal viçoso, jovial, ele é um jornal que mexe com a sociedade. É um prefixo marcante, com história, respeito e tradição. Quem fala o contrário ou não trabalhou ou não conhece de jornalismo”, ressalta.

Carla Monteiro considera que os textos melhoraram e que a tendência do jornal é evoluir. “Acho que tem que montar uma rotina de produção da notícia, tem que ter os manuais, mas eu acho que isso tem que ser construído. Ele tem credibilidade. Eu falei para o Júlio Nasser que eu boto fé nele”, declara.

“Acho que o jornal Diário da Manhã nunca perdeu a viscosidade dele. Ele nunca perdeu o brilho, o visco, aquela jovialidade dele. Nunca perdeu.”

Cevam

Avisos no Cevam alertam sobre abusos. Instituição ajuda mulheres, crianças e
adolescentes que sofrem violência.

Ao ser questionada sobre a atual relação do Diário da Manhã com o Centro de Valorização da Mulher (Cevam), Carla Monteiro, que também é diretora da instituição, diz que o Júlio Nasser, presidente do jornal, ama o Cevam.

“O Júlio ama o Cevam por causa da mãe dele. Foi a Consuelo que fundou junto com a Linda Monteiro e Amália Hermano. A Sônia Penteado sugeriu o nome junto com Júlio Nasser”, disse.

Até hoje o Cevam é o único abrigo de mulheres de Goiás. Ele se tornou abrigo a partir de 1996, antes era centro feminista. “A partir de 1996 ele agregou também a questão do acolhimento. A partir de 2004 passou a acolher crianças.” Nos anos de 1980, o grupo de mulheres se reunia na casa de Linda Monteiro que morava no Setor Bueno. Consuelo Nasser, sempre envolvida com causas sociais, ficou indignada com o cenário de sua época e que até hoje permanece atual: várias mulheres sendo mortas, vítimas de violência. Dentre elas, a funcionária pública Maria Helena Caiado, morta em 1980, a mando do ex-marido, o comerciante goianiense Waldir Roma, e a cantora Eliane de Grammont, morta pelo ex-marido em 1981, o cantor Lindomar Castilho. A artista, inclusive, estava separada há um ano.

A diretora do Cevam aponta quando o cantor Lindomar Castilho esteve em Goiânia para fazer um show em agosto de 1981 e a instituição se movimentou.

“Ele veio cantar aqui no Rio Vermelho e o Cevam foi para lá distribuir panfletos. ‘Lindomar Castilho vai cantar, mas Eliane de Grammont não vai, porque ela está morta’. Aquilo foi se agigantando. Como estava muito calor, o panfleto acabou virando leque. E o Lindomar Castilho acabou não cantando. Disseram para ele que o Cevam estava lá fora. Ele ficou com medo de ser agredido e não teve show. Aquilo saiu até no Jornal do Brasil. Saiu no JB, no Estadão, Folha, repercutiu muito em São Paulo. Aí o Cevam passou a ser conhecido”, destaca.

O Centro de Valorização da Mulher ajudou a atender mais de 27 mil pessoas em 38 anos. O espaço conta com uma rede de 524 amigos voluntários que oferecem serviços de advocacia, publicidade, assistência social e médica para mulheres e crianças vítimas de violência doméstica.

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