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Idoso de 80 anos tem colação de grau pela web

Idoso de 80 anos que se deslocava mais de 170 km por dia para estudar, concluí graduação pela web

diario da manha
Foto: Reprodução

José Gomes Ferreira, 80 anos, não permitiu que a idade avançada o impedisse de idealizar o sonho de se formar em História, pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Uruaçu. Morador de Niquelândia, o graduado declarou que as dificuldades não impediram de conquistar seu objetivo. A colação de grau ocorreu virtualmente, por causa da pandemia do novo coronavírus e, foi realizada na noite de terça-feira (2).

Com a frase motivacional “conhecimento é algo que ninguém pode tirar de você”, Ferreira encontrava incentivos para assistir as aulas diárias, pois precisava percorrer a distância de 176 km de Niquelândia, até o campus da faculdade em Uruaçu. Ele desembolsava cerca de R$ 300 por mês para fazer o percurso de ônibus. “O dinheiro que eu gastei para pagar o ônibus não é nada perto do conhecimento que eu adquiri”, ressaltou o idoso.

Envaidecido, Ferreira afirmou que decidiu retornar aos estudos porque queria poder tomar as próprias decisões, sem depender de outras pessoas. O entusiasmo para aprender sobre a História do Brasil e o período da ditadura militar também foi um dos motivos para que pudesse acessar os livros. “Eu sempre tive vontade de ser alguém na vida. Quando jovem, não tive oportunidade de estudar, porque tinha que trabalhar. Depois de passarem a perna em mim várias vezes, eu decidi que eu precisava aprender”, confirmou.

Luta constante

Nascido em Minas Gerais, Ferreira conta que começou os estudos com 13 anos, mas só ficou na escola por cinco meses, tempo suficiente para aprender a ler, escrever e fazer contas. Veio para Goiás na década de 60, morou em Barro Alto e, em seguida fixou moradia em Niquelândia. Após 51 anos longe da escola, ele decidiu que queria se tornar um historiador.

“Eu comecei no começo mesmo. Me matriculei em uma escola, fiz o ensino fundamental, passei pelo ensino médio e fiz o vestibular. Quando vi, já estava na faculdade. Sempre fui muito bem recebido por onde passei e chegar aonde cheguei me deixa muito feliz”, destacou.

Conforme o historiador, ainda pretende escrever um livro, mas seu desejo atual é poder ter saúde para poder contar histórias por muitos anos. “Quero poder passar esse momento difícil que estamos passando, junto da minha família e com saúde, que é o que importa”, considerou.

*Com informações do G1

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