Cidades

Moradora recebe notificação de vizinhas que reclamam dela usar “shortinhos”

Mensagem reclamava do uso de “roupas de academia” e “shortinhos” por ela, com o argumento de que casais estariam se sentindo “constrangidos”

diario da manha

Uma moradora de um condomínio em Brasília se surpreendeu na quarta-feira (17) ao receber um e-mail com o assunto “Solicitação de vestuário apropriado”. A estudante de odontologia Najhara de Mello, 36 anos, conta que abriu a mensagem com a reclamação do uso de “roupas de academia” e “shortinhos” por ela, com o argumento de que casais estariam se sentindo “constrangidos”.

Segundo a estudante a mensagem foi assinada por um suposto “Conselho de Mulheres do Edifício (ela preferiu não divulgar o nome do condomínio)”.

Após receber o e-mail Najhara conta que procurou dois funcionários do prédio para entender se era normal receber esse tipo de solicitação. A estudante ainda não conseguiu contato com o síndico, mas os porteiros desconhecem a existência de um conselho de mulheres no edifício.

Ela afirma que não há justificativa para esse tipo de reclamação, supostamente vinda de um grupo de mulheres. “Quando vi aquilo, eu não acreditei. Fiquei chocada e me sentindo invadida. Mesmo que eu andasse com roupas tão curtas, como foi sugerido, – coisa que, de fato, não ocorre – , é direito meu. Eu não desrespeito ninguém”, afirma.

Estudante de odontologia recebe “Solicitação de vestuário apropriado” em condomínio em Brasília-  Foto: Reprodução/Metrópoles

Revolta

“O que mais me choca é a possibilidade de existir esse conselho e de ele ser formado por mulheres. Imagino a proporção que algo assim pode tomar, em termos de controle sobre o corpo alheio. São pessoas que não enxergam a mulher, mas um objeto”, diz a moradora.

De acordo com Najhara, nos um ano e cinco meses em que mora no condomínio nunca teve nenhum problema de convivência com vizinhos. “A maioria dos moradores do prédio sai cedo para trabalhar e volta à noite, é um ambiente silencioso e tranquilo. Todos costumam ser cordiais e gentis”, relata.

Além disso ela ressalta que usa pouco as áreas de convivência do local, pois segundo ela costuma ter contato com vizinhos principalmente de manhã cedo, quando sai para correr, ou na garagem do prédio. A estudante disse que acionou um advogado “para saber que medidas podem ser tomadas”.

Najhara lamentou o episódio e disse não acreditar quando ao final do e-mail a oferecem ajuda caso precisasse, pois segundo ela, isso a fez se sentir ainda mais objetificada nessa situação. “Ainda me oferecem ajuda caso eu precise, estão à disposição para me dar conselhos de moda. Você se sente um bife. O bom é receber apoio de mulheres fantásticas, fortes e seguras, que estão do meu lado”, disse.

*Com informações do Metrópoles.

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