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Estudante denuncia mulher que fez post racista sobre ele em Goiânia

De acordo com o estudante ela fez referência a uma polêmica que ocorreu no Big Brother Brasil envolvendo o cantor Rodolffo, que comparou o cabelo do professor João Luiz com a peruca de um homem das cavernas.

diario da manha

Após sofrer racismo, o estudante de publicidade e propaganda Marcos Paulo Goes Lima, de 26 anos, denunciou uma mulher que postou a foto dele sem autorização. O caso aconteceu em Goiânia e no post, a mulher publicou uma foto do jovem e escreveu: “Rodolffo, corre aqui”.

De acordo com o estudante ela fez referência a uma polêmica que ocorreu no Big Brother Brasil envolvendo o cantor, que comparou o cabelo do professor João Luiz com a peruca de um homem das cavernas.

“Uma mulher que nunca vi tirou uma foto minha e postou no Instagram. O objetivo era retomar uma polêmica do BBB, em que o cantor sertanejo compara o cabelo do João a uma peruca feia e suja. Se você acha que não é racismo, faça a inversão da situação: imagine alguém na frente do supermercado tirando foto sua e compartilhando sem sua autorização com um comentário polêmico”, disse Marcos.

Após a repercussão do post, a mulher apagou a foto e fez outra publicação dizendo que em “momento algum quis ofender alguém” e que foi mal interpretada. A reportagem entrou em contato com ela e aguarda o retorno. A assessoria do cantor Rodolffo informou que não irão comentar o assunto.

Marcos informou que tudo aconteceu na sexta-feira (9), na hora do almoço, quando ele foi a um supermercado, no Setor Marista, junto a um colega e que na hora de ir embora, ele saiu e ficou na porta aguardando o amigo. Então, sem que ele percebesse a mulher fez a foto.

“Eu estava esperando um amigo meu que estava lá dentro. Ele estava demorando, e eu fui procurar por onde ele estava, e a pessoa tirou a foto. Eu sou meio avoado e na hora eu nem percebi. Eu fui embora e segui minha vida. Quando eu volto do almoço, uma colega me mostra a foto e pergunta se seria eu”, contou Marcos.

Marcos disse que decidiu 'não se calar', após ser vítima de racismo, em Goiânia — Foto: Reprodução/Instagram
Marcos Paulo Goes Lima, vítima de racismo em Goiânia.
Foto:Reprodução/Instagram.

Marcos conta que após a situação usou as redes sociais para desabafar e ficou surpreso com a quantidade de apoio que está recebendo desde a publicação.

“Na hora eu entendi que o conteúdo era racista, mas fiquei assustado. Falei: ‘Caramba, o que está acontecendo?’. Usei as redes sociais para desabafar, e aconteceu esse ‘boom’. Muita repercussão e, infelizmente, por uma situação negativa. Mas eu estou recebendo muito carinho e apoio”, contou.

O estudante afirmou que se tornou “mais uma vítima” de racismo, mas decidiu não se calar e que pretende registrar o caso na Polícia Civil ainda nesta semana.

“Isso não é questão de se exibir, de querer palco, mas é uma questão de existência. Por que um homem preto não pode estar em um lugar assim? Por que minha imagem causa tanto para ela ali? O que eu quero é entender o que aconteceu para ela fazer essa postagem. Eu queria que ela refletisse sobre. Fui mais uma vítima, mas eu abri minha boca”, afirma o estudante.

Para o advogado Rafael Maciel, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados Pessoais, este caso além de ter conotação racista, este caso fere o direito de imagem da pessoa.

“Esse direito de imagem, que está no Código Civil, a gente pode impedir a utilização indevida dessa imagem, ou seja, a pessoa que postou pode ser demandada a excluir e, nesse caso, como houve uma difamação, porque ela também está com comentário preconceituoso e racista, pode também cobrar indenização dessa pessoa, sem falar nas consequências penais, por ela ter cometido um crime de racismo”, afirma o advogado.

Segundo o advogado a autora da imagem pode ter penalidade criminal pela conotação preconceituosa do comentário.

“Sem dúvida nenhuma, estamos falando de violação do uso de imagem com uma difamação sujeita a indenização e, claro, a efeitos criminais, se não por racismo, minimamente, por difamação, que é um crime contra a honra”, disse o advogado.

A Polícia Civil informou que só vai se pronunciar quando o caso for registrado.

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