Cidades

Ciclista negro abordado por PMs diz estar traumatizado

"Estou me sentindo preso dentro de casa, sem poder sair para lugar nenhum", diz o jovem

diario da manha

O ciclista Felipe Ferreira, abordado de uma forma incorreta pela Polícia Militar, diz que se assusta ao ver carros da corporação na rua. O constrangimento ocorreu quando na os agentes apontaram uma arma para ele durante uma abordagem policial. A ação ocorreu na Cidade Ocidental, entorno do Distrito Federal.

Felipe estava acostumado a sair todos os dias para fazer atividade física, entretanto, lamentou não conseguir ir andar de bicicleta, devido ao medo.

“Estou me sentindo preso dentro de casa, sem poder sair para lugar nenhum. Todos os dias eu faço as minhas atividades, hoje é final de semana, e eu não posso sair para andar com a minha bicicleta. Se eu vir uma viatura, me assusto”, desabafou.

O rapaz trabalha como eletricista e tem um canal no Youtube para postar os vídeos das manobras que faz com a bicicleta. Na última sexta-feira (28), enquanto gravava um de seus vídeos, dois policiais o abordou. As imagens mostram o momento em que os militares armados exige que o jovem colocasse as mãos na cabeça. Felipe então, questiona o motivo da abordagem.

A polícia informou em nora que esta verificando todas as informações relativas a este fato. Em entrevista a TV Anhanguera, a PM informou que ainda que, caso seja comprovado algum excesso na conduta dos militares, as providências legais serão tomadas.

De acordo com o promotor de Justiça, Alexandre Rocha, a ação dos policiais extrapolou o padrão da corporação.

“Tem uma gradação de uso de força e admoestação verbal. Se ele resiste, pode ser que passe para uma segunda etapa. Mas puxar a arma tem que ser numa situação extrema, inclusive de perigo para os policiais”, pontua o promotor.

Prova da abordagem

No vídeo gravado por Felipe, mostra o momento em que o jovem para a bicicleta assim que vê os PMs saindo do carro a poucos metros dele. Ele pergunta aos policiais o motivo da abordagem. Ao mesmo tempo um dos policiais exige: “Coloca a mão na cabeça!”.

Felipe pergunta: “Por que você está apontando a arma para mim?”. O policial não responde a pergunta e repete: “Coloca a mão na cabeça”.

O ciclista pede: “Para de apontar a arma para mim”. Em seguida, o policial responde: “Esse é o procedimento. Isso é uma abordagem. Se você não obedecer, você vai ser preso”.

“Olha como estão me tratando. Como assim?”, questiona Felipe.

O outro PM afirma: “Estou de dando uma ordem legal: coloca a mão na cabeça”.

Depois da discussão, o ciclista coloca a câmera no chão e tira a camiseta. Em seguida, se coloca de costas para os policiais e põe as mãos atrás da cabeça, obedecendo à ordem. Um dos PMs começa a algemá-lo e desliga a câmera.

“Após o vídeo, foi a mesma opressão. Continuaram me oprimindo, falando alto no meu ouvido e dizendo que eu estava os desacatando, sendo que eu não estava falando absolutamente nada”, relata Felipe.

De acordo com o jovem, ele teve que assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por desobediência.

Apoio na web

Depois de toda a ação, as imagens da abordagem viralizaram na web e estão repercutindo nas redes sociais. O vídeo já possuía mais de 5,6 milhões de visualizações e 138,1 mil curtidas. Nos posts, muitos internautas questionam se a postura dos policiais tem relação com o fato de o jovem ser negro.

Em um dos comentários em uma rede social, uma mulher disse que achou revoltante a conduta dos policiais durante a abordagem.

“Revoltante e assustador saber que mesmo em um local calmo, sem nenhum indício de ameaça, abordarem alguém dessa maneira apenas por causa da sua cor #VidasNegrasImportam”, escreveu.

Outro internauta digitou: “Abuso inaceitável”.

Famosos também usaram as redes sociais para criticar a abordagem. Entre os artistas que se posicionaram estão a apresentadora Fernanda Lima, o cantor Thiaguinho e o ator Babu Santana.

“Esses caras que deviam nos proteger! Não sei nem mais o que dizer. ‘Porque eu tô mandando!’ Caô! É porque eu tenho uma arma apontada para a sua cabeça! Uma arma do estado! Revolta absoluta!”, escreveu Babu.

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