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''Estamos nadando contra a maré'', diz infectologistas sobre a Copa América em Goiânia

Infectologistas da linha de frente no combate à pandemia temem um maior contágio e o aparecimento de novas variantes do coronavírus com a realização da Copa América em Goiânia

diario da manha
Estádio Olímpico em Goiânia - Foto: Fernando Vasconcellos

Desde quando foi anunciado que os jogos serão no Brasil, a Copa América 2021 se tornou um dos assuntos mais comentados nos últimos dias pelos brasileiros e dividiram opiniões. Entre as cidades que será palco de partidas, Goiânia está entre elas.

O governador Ronaldo Caiado aceitou sediar os jogos com a algumas exigências, entre elas, a vacinação de todos os envolvidos na competição e que o estado não gaste nenhum um centavo dos cofres públicos no evento. Ou seja, toda parte de infraestrutura fique por conta da Conmebol, organizadora do evento.

Ainda segundo o governador, para que as partidas aconteçam em terras goianas, uma medida de exigências precisam ser tomadas e que de acordo com ele, todas elas foram aceitas pela a organizadora do evento.

Essa decisão vem preocupando os goianos, infectologistas da linha de frente no combate à pandemia temem um maior contágio e o aparecimento de novas variantes do coronavírus com a realização da Copa América em Goiânia.

Nesta quarta-feira (2), a médica Ana Carolina de Araújo Andrade, disse que ela e os colegas que atuam em hospitais públicos e privados estão desesperados com a confirmação do campeonato. Para ela, a realidade nas unidades médicas é de lotação nos leitos de UTIs e enfermarias e, paralelamente a isso, se observa uma rápida evolução da doença no quadro dos pacientes internados.

” Estamos nadando contra a maré. Está faltando medicações. É uma luta diária. Não é só a torcida, é uma equipe enorme. Claro que vai ter aglomeração entre os integrantes. A gente já está desgastado com tanta tragédia e um evento desse no meio disso tudo, a gente nem acredita. É um absurdo”, ressalta a médica.

A taxa de ocupação dos hospitais estaduais, nesta quarta-feira, chegou a 89% nas UTIs. Em Goiânia, que vai receber o evento, os leitos especiais estão com 75% de ocupação por pacientes com Covid-19.

Outra infectologista, Ludmila Passos Costa, entende que promover a competição durante a pandemia é imprudente por causa da circulação de pessoas de outros países.

”Os esforços têm que estar empenhados em promover a segurança e não a disseminação do vírus, além de trazer gente de circulação de outros países, que pode, eventualmente, trazer outras variantes do vírus”, completa.

Prazo insuficiente

O evento deve começar em 10 dias. Assim, não há prazo suficiente para cumprir a quarentena exigida pelos protocolos de segurança nem tempo suficiente para quem for vacinado com 1 ou 2 doses estar completamente protegido, como afirmam os médicos.

A Copa América deve trazer a Goiânia atletas e dirigentes esportivos de 10 países. Ainda não se sabe quantos jogos devem ser disputados na capital nem a tabela dos times que se enfrentarão. Cada seleção deve contar com 65 integrantes, além das pessoas que vão trabalhar no torneio.

Heloina Claret de Castro, infectologista, disse que a realização do campeonato precisaria de mais tempo para as autoridades em saúde colocarem em prática medidas de contenção do vírus.

Ela sugere a vacinação de todos os participantes com pelo menos 15 dias de antecedência, testagem com RT-PCR nos integrantes das comissões antes, durante e depois do torneio.

” Considero que qualquer motivo para aglomerações neste momento deveria ser desestimulado, ainda mais num país com altas taxas de transmissão e hospitais abarrotados”, completa.

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