Cidades

Estudante vítima de racismo suicida dentro da USP

Esse é o terceiro caso de suicídio entre estudantes da USP em dois meses.

diario da manha

O estudante Ricardo Lima da Silva  morreu, no dia 25 de maio, após cair do prédio em que morava no Conjunto Residencial da USP – CRUSP. Familiares e amigos, afirmam que ele era vítima de racismo e bullying por parte dos professores e alunos.

O aluno da  Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) , alegava perseguições da parte de alunos e professores. O estudante fez pedidos de ajuda por e-mail e cartas, mas de acordo com amigos dele, a USP não respondeu.

Os amigos de Ricardo relataram que o jovem se pendurou no sexto andar e não houve nenhum movimento da Universidade para impedir a ação.

Segundo moradores do CRUSP, um guarda da USP e um profissional de segurança privada da Albatroz Segurança e Vigilância, subiram no andar e ficaram esperando parados, não chamaram os bombeiros, não montaram uma operação, não deixaram uma ambulância preparada, nem avisaram a polícia militar que tem uma guarita a poucos metros do local.

Ricardo se jogou e os guardas que estavam parados saíram gritando, avisando que o jovem havia se jogado. A família do estudante recebeu apenas uma notificação de seu falecimento.

Um amigo de Ricardo, que prefere não se identificar, contou ao portal Alma Preta, que o estudante tinha consciência do racismo que enfrentava na universidade e atuava na luta contra preconceito e injustiças no campus.

Em 2019, participou do Novembro Negro, promovido pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, onde questionou as dificuldades para enfrentar a invisibilidade social e a falta de crédito no meio acadêmico, por consequência do racismo.

Esse é o terceiro caso de suicídio entre estudantes da USP em dois meses. Todos eram alunos de graduação da FFLCH. 

“É impossível saber o que levou esses jovens a medidas tão extremas para acabar com o sofrimento que sentiam. A pandemia pode ter sido uma situação catalisadora para problemas anteriores e estamos preocupados com a repercussão que esses casos podem ter”, disse Paulo Martins, diretor da FFLCH à Folha de S. Paulo.

A faculdade estuda formas de colocar em prática três ações nas próximas semanas: a ampliação de atendimentos no Escritório de Saúde Mental (ESM), a criação de uma espécie de Centro de Valorização da Vida (CVV) próprio da unidade e uma pesquisa sobre saúde mental dos alunos.

Comentários