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Calor e seca geram crise em Goiás e no Brasil

A crise hidrelétrica no país é o retrato da falta de chuvas que, além de ser comum nessa época do ano, foi intensificada pela ação humana

diario da manha
Foto: Unsplash

O Estado de Goiás vem enfrentando uma das piores secas de sua história, foram quase 80 dias sem chuva, até que na última terça-feira, 31, houve precipitação em Goiânia e demais cidades.

Porém o acumulado de chuva não passou dos 15 milímetros em alguns pontos da capital. Isso não significa o retorno das chuvas, pelo contrário, o Estado voltou a registrar altas temperatuas e céu com poucas nuvens e baixa umidade do ar.

O pequeno refresco experimentado pelos goianos gera a falsa sensação de que o clima está normalizado, mas a crise hidrelétrica que o país e Goiás enfrentam são a prova que isso não passa de mero engano.

Crise hidrelétrica

O meteorologista e gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do Esatdo de Goiás (CIMEHGO), André Amorim, explica que o que define uma crise hídrica é a constatação do baixo volume de chuvas nos últimos anos, que não foi o bastante para a manutenção dos rios e reservatórios.

“Atualmente, estamos passando por um processo de ciclo de chuvas de baixo volume e irregulares para um período em deveria acontecer a recarga de mananciais e reservatórios. No entanto, essa recarga não vem acontecendo”, afirma.

André acrescenta o fato de que as mudanças climáticas não podem ser descartadas, na medida em que “afeta o mundo de várias maneiras”.

O ambientalista e especialista em Planejamento Urbano e Ambiental, Gerson Neto, ressalta que o estudo da vazão dos rios, devido processo que a cada ano se apresenta com uma força diferente, pode-se saber a quantidade de água em cada época do ano.

“O alerta de crise hídrica está sendo dado porque as vazões de muitos rios importantes para abastecimento humano e para a geração de energia já estão muito abaixo das médias historicamente observadas para este período em que estamos. Em Goiânia, o Rio Meia Ponte já aponta que neste ano poderemos ter que decretar um racionamento, sendo que nos últimos dois anos já estivemos muito próximos da adoção dessa medida”, disse.

Gerson explica ainda que, enquanto por um lado o desmatamento da Amazônia diminui a umidade que se espalha pelo continente, provocando chuvas, por outro lado o aquecimento global gera secas mais severas e prolongadas. Segundo ele, a ação humana direta nos rios gera um desequilíbrio. “O assoreamento dos rios, a destruição das nascentes e o desmatamento das áreas de recarga do lençol freático subterrâneo também são causas dessa diminuição das vazões de água que nos leva a crise hídrica”, completou.

Conta de luz mais salgada

O consumidor já sente no bolso o aumento das bandeiras tarifárias da conta de energia, isso porque o Governo Federal começou a acionar as termelétricas para ajudar na produção de energia, deixando os valores mais alto, além de comprar energia de outros países.

A partir deste mês, até abril de 2022, o Governo irá cobrar a bandeira tarifária ‘escassez hídrica’, sendo a mais grave que a vermelha 2.

Além do que o consumidor já paga pela energia que consome, agora terá que pagar R$ 14,20 a cada 100kWh gastos.

Previsão do tempo

As notícias não são boas em relação à chuva, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) colocou o Centro-Oeste em alerta laranja para baixa umidade, com variação de 12% a 20%.

Em Goiânia o final de será de tempo firme, com mínimas entre 17ºC e 18ºC, e máximas podendo atingir 36ºC no domingo.

Já em Porangatu, na Região Norte do Estado, as mínimas serão de 22ºC e máximas de 38ºC, sem previsão de chuva.

O INMET alerta ainda para o risco de incêncios e recomenda que a população não se exponha ao sol, nem pratique exercícios entre 10h e 16h.

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