Cidades

Uma em cada cinco estudantes já foi vítima de violência sexual

Pesquisa feita com adolescentes apontou que os agressores, em geral, são pessoas próximas às vítimas

diario da manha

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, apontam que uma em cada cinco estudantes (20,1%), de 13 a 17 anos, já sofreu violência sexual, as garotas afirmam já terem sido tocadas, manipuladas, beijadas ou ter tido partes do corpo expostas contra a própria vontade.

Entre os meninos entrevistados, 9,0% relataram ter sofrido algumtipo de violência sexual.

A pesquisa indicou também que 8,8% dessas meninas já foram forçadas ao ao sexo, contra 3,6% entre os meninos. Os agressores são, em geral, pessoas próximas às vítimas.

Fatores socioeconômicos também indicam qual tipo de agressão é mais comum entre as vítimas, os de importunação sexual, por exemplo, são mais frequentes em escolas privadas e os crimes de estupro em escolas públicas.

O dado mais alarmante foi que, em 68,2% dos casos desse tipo de violência, a vítima tinha 13 anos ou menos quando foi submetido aos abusos.

A analista da PeNSE, Cristiane Soares, alerta para que algo tido como “brincadeira” não ultrapasse os limites do outro.

“É preciso estar atento. Muitas vezes caracterizado como “brincadeira”, a importunação ou assédio sexual pode assumir contornos de estupro e levar as vítimas ao medo e ao abandono escolar, por exemplo. Esse tipo de violência pode ter várias consequências para os jovens, podendo criar uma cultura permissiva quando tais atos não são vistos como sérios e passíveis de punição”, afirma.

As vítimas mencionaram que os principais autores da violência foram namorado ou namorada, seguido por amigos, desconhecidos, outros familiares e pai, mãe ou responsável.

Cristiane cita que a importância das políticas públicas de escuta, acolhimento , acompanhamento e orientação é fundamental para os jovens.

“Ao se pensar em políticas públicas para ajudar esses adolescentes, é preciso estar muito atento ao fato de que os agressores, grande parte das vezes, são pessoas do ambiente doméstico das vítimas ou pessoas com quem elas têm relação de afetividade. Isso provoca um sentimento de desamparo e de não ter a quem recorrer. O adolescente sente que não tem com quem falar sobre o que está acontecendo com ele”, ressalta.

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