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Fieg lança núcleo ESG para incentivar práticas de sustentabilidade

Iniciativa, pioneira entre federações das indústrias de todo o País, busca incentivar implantação de processos que contribuam com a competitividade de pequenos negócios e deixem legado na comunidade onde atuam

diario da manha

O que impacta diretamente o negócio de sua empresa? Com essa indagação, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) mobilizou empresários goianos na live Gestão Estratégica de ESG e o Impacto no Futuro das Empresas, promovida sexta-feira (15/10) na Casa da Indústria, com transmissão ao vivo pela plataforma Zoom Cloud Meetings. A iniciativa, liderada pelo Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMAS), contou com palestra do especialista Roberto Roche e marcou o lançamento do Núcleo ESG na Fieg para apoiar micros, pequenos e médios empresários que buscam implantar processos para mitigação de riscos nos negócios, observando práticas de Governança Ambiental, Social e Corporativa.

“O projeto veio suprir uma necessidade de nossas indústrias. Entendemos que nossa base é formada, sobretudo, por pequenas e médias empresas, que precisam de apoio para implantar processos ESG. Queremos ajudar esses empresários, principalmente por entendermos o impacto que o tripé social, ambiental e de governança tem na sobrevivência e competitividade dos negócios”, explicou Flávio Rassi, que é vice-presidente da Fieg, presidente do CMAS e coordenador do Núcleo ESG na federação.

Segundo Rassi, a empresa que não consegue atuar com os três pilares do ESG vai encontrar cada vez mais dificuldades para permanecer no mercado, seja doméstico ou internacional. “É algo que supera a legislação. Cumprir a lei é obrigação. A pergunta é o que seu negócio faz além? Qual métrica o destaca dos competidores?”, questionou Rassi aos empresários que acompanharam o evento de lançamento.

Para lançar luz nesse conceito, o especialista Roberto Roche falou sobre Gestão Estratégica ESG, elencando em sua palestra cases que mostram a importância da implantação de processos para mapear riscos e mitigar impactos no caixa das empresas. “O ESG chegou com 15 anos de atraso no Brasil e as empresas agora correm. A mão invisível do mercado está exigindo isso delas. Quem não se adequar terá dificuldades não só para entrar com produtos no mercado internacional, mas para garantir a sobrevivência no mercado interno, já que é requisito para fundos de investimento, bancos e seguradoras”, esclarece.

De acordo com Roche, a exigência ESG é uma realidade no mercado financeiro europeu e já impacta indústrias brasileiras, sobretudo ligadas ao agronegócio. O especialista destaca que mais de US$ 30 trilhões em ativos no mundo estão sob gestão de fundos que definiram estratégias sustentáveis. No Estados Unidos, esse número já representa cerca de 30% dos investimentos, enquanto na Europa são US$ 14,1 trilhões em ativos.

“Nos últimos anos, cada vez mais investidores estão colocando o conceito de investimentos responsáveis como fator decisivo na alocação de recursos. O ESG é uma mudança abrangente no cenário de investimentos. As organizações que ignorarem o recado estão fadadas ao fim, principalmente com a ascensão de gerações que possuem os valores socioambientais intrínsecos no seu cotidiano”, argumenta.

O especialista afirma ainda que, assim como não existe empresa 100% ESG, também não há empresa sem qualquer tipo de processo implementado nesse sentido, destacando que existem diferentes níveis de maturidade e que o importante é iniciar essa metodologia no ambiente corporativo, por meio do compliance e com métricas para mensurar as ações.

“O ESG não é certificável, não é sustentabilidade corporativa, não é um produto final, não são só números e não é filantropia e caridade, é um processo com princípios, com ações que deixam um legado”, arremata Roche.

A live Gestão Estratégica de ESG e o Impacto no Futuro das Empresas contou com participação de mais de 70 empresários, sendo acompanhada pelos presidentes de sindicados das indústrias Célio Eustáquio de Moura (Sindcel), Marcos André (Sindipão), Luiz Antônio Nogueira (Simplago) e Luiz Carlos Borges (Sindiareia) e os presidentes de conselhos temáticos Eduardo Zuppani (Conat) e Jaime Canedo (Compem).

O QUE É ESG?
De origem inglesa, a sigla ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) significa Governança Ambiental, Social e Corporativa. Trata-se de uma avaliação da consciência coletiva de uma empresa em relação aos fatores sociais e ambientais. Normalmente, é uma pontuação compilada de dados coletados em torno de métricas específicas relacionadas a ativos intangíveis dentro da empresa.

Na prática, consiste em três critérios que permitem medir os impactos sociais e ambientais de um investimento em uma empresa. Esses fatores têm ganhado destaque em uma sociedade que, cada vez mais, valoriza empresas responsáveis com o meio ambiente, a sociedade e a própria gestão. Por conta disso, compradores, investidores e fundos de investimento passaram a olhar para critérios como sustentabilidade e governança corporativa na hora de decidir onde colocar dinheiro.

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