Brasil

Casos de suicídio aumentam entre jovens

Redação DM

Publicado em 24 de março de 2023 às 23:30 | Atualizado há 2 anos

 


		Casos de  suicídio aumentam entre jovens

Rariana Pinheiro

 O suicídio é  a quarta maior causa de mortes de jovens de 15 a 29 anos de idade Foto:  Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um caso que aconteceu no começo da semana passada chocou os moradores do Garavelo em Aparecida de Goiânia. Uma adolescente, de 16 anos, foi encontrada andando nas ruas do bairro,  em choque e com o corpo em chamas. Foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O caso é investigado pela polícia, porém, a principal suspeita é de que a garota – cujos familiares revelaram que sofria bullying e lutava contra depressão – tenha provocado tal tragédia.

A história triste, coloca uma questão espinhosa e difícil de tocar em pauta: como anda o suicídio no Brasil e em Goiás? Quais ações são feitas – ou poderiam ser feitas – para impedir casos como esse? Algumas respostas para tais questionamentos não são muito animadoras. Pesquisas apontam números crescentes que  fazem crer que a  questão da violência autoprovocada trata-se de uma epidemia. Porém, há avanços.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que, no mundo, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente. É a quarta maior causa de mortes de jovens de 15 a 29 anos de idade. Quanto ao Brasil, de acordo com dados do Boletim epidemiológico 33, da secretaria de vigilância em Saúde – Ministério da Saúde, nos últimos 10 anos houve aumento de 43% no número anual de mortes, de 9.454 em 2010, para 13.523 em 2019. 

Neste mesmo período, estima-se que a população brasileira tenha crescido 10,17%. A taxa nacional em 2019 foi de 6,6 por 100 mil habitantes. E as Regiões Sul e Centro-Oeste possuem as maiores taxas de suicídio entre as regiões brasileiras.

Conforme Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Departamento de Análise e Tabulação de Dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS), do Ministério da Saúde, no período que compreende os anos de 2009 a 2019, Goiânia, estava entre as capitais do Brasil que ultrapassaram a média nacional de suicídio e a metrópole aparece empatada com Porto Alegre em terceiro lugar com 9.37 óbitos por 100 mil habitantes.

Segundo estudo, na capital houve um aumento gradativo nos anos avaliados, partindo de 102 óbitos no ano de 2009 e chegando a 142 mortes no ano de 2019, totalizando 1.155 suicídios. O que significa um acréscimo de 39,22% no número de mortes em decorrência do autoextermínio, no período de 10 anos em Goiânia.

Impactos

 


		Casos de  suicídio aumentam entre jovens

Rariana Pinheiro


 

Sociólogo Luiz Gustavo Lins Barros, explica que Goiânia ocupa o segundo lugar na taxa de mortalidade por autoextermínio.

Sobre tais números, o sociólogo, que possui estudo sobre o suicidio em Goiânia,  Luiz Gustavo Lins Barros,  acrescenta,  à  respeito das  capitais do Centro-Oeste, que Goiânia ocupa o segundo lugar na taxa de mortalidade por autoextermínio, perdendo apenas para Campo Grande, com 10,5 óbitos por 100.000 habitantes. “É uma perspectiva assombrosa, levando-se em consideração uma curva de mortalidade tendente a crescer nos próximos anos”, alerta. 

Outra observação do sociólogo, a respeito do assunto envolve questões raciais. Ele argumenta que, conforme dados do Ministério da Saúde, o estigma em torno do autoextermínio, aliado ao racismo estrutural, contribui para o silenciamento imposto a esta problemática.

“Isso  dificulta a discussão aberta e produtiva sobre medidas de combate e prevenção ao suicídio, alimentando a passividade enquanto o momento deveria ser de ação. Os jovens negros e pobres são as vítimas mais afetadas pela prática do autoextermínio. Em 2016, para cada dez jovens que tiraram a própria vida, seis eram pretos ou pardos”.

Em relação às políticas públicas de atendimento à saúde mental ele alerta que é primordial a abertura de novos postos de saúde e centros de referência. “Onde há centro de referências, naquela localidade o número de suicídios diminui drasticamente. Temos que trabalhar isso de forma organizada e estruturada, para que  haja a diminuição das taxas”, analisa.

Ações

 


		Casos de  suicídio aumentam entre jovens

Rariana Pinheiro


 

Ana Maria Porto da Silva: Coordenadora de Cuidado às Pessoas em Situação de Violência fala das ações da SES-GO

Em conversa com o DM, a Coordenadora de Cuidado às Pessoas em Situação de Violência Ana Maria Porto da Silva, conta que a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, oferece atenção especial às violências, com uma série de ações de prevenção, atenção, vigilância e cuidado. 

“A Superintendência de Políticas e Atenção Integral à Saúde com a Coordenação de Cuidado às Pessoas em Situação de Violência, atua diretamente na articulação e monitoramento dos atendimentos, junto as unidades nas 18 regionais de saúde, frente a violência autoprovoca/suicídio”

Ela esclarece que casos de atendimentos são realizados nas unidades de urgências e emergência para os casos de tentativas, que imediatamente são notificados conforme a Lei de nº 13.819/ 2019. 

“Feita essa intervenção o paciente é regulado e encaminhado para o serviço de Assistência permanente, realizado pelo Centros de Atenção Psicossocial – CAPS mais próximo da residência do usuário”

Os casos são monitorados e entra em cena a Coordenação de Cuidados às Pessoas em Situação de Violência. “A coordenação viabiliza o atendimento do paciente supracitado, de acordo com o local de moradia da pessoa. Já o atendimento realizado com as famílias enlutadas é feito através dos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS, um serviço porta aberta, onde há acolhimento de acordo com a demanda espontânea ou encaminhamento”, explica.

A rede conta também com o Centro Estadual de Atenção Psicossocial e Infanto-Juvenil (CAPSi), um centro de referência destinado ao atendimento preventivo e curativo em saúde mental para crianças e adolescentes (3 a 18 anos), seus familiares e responsáveis e é dotado de equipe multiprofissional que atua na promoção, prevenção terapêutica e pesquisa no âmbito da saúde mental infanto-juvenil”.

Assunto “tabu” prejudica  políticas

Apesar de ser um assunto relevante e presente na sociedade, a Coordenadora de Cuidado às Pessoas em Situação de Violência Ana Maria Porto da Silva, argumenta que o suicídio ainda não é  abordado com a mesma frequência e clareza para todas as políticas, e quando é feito não acontece de forma adequada. 

“ O que torna essa política eficaz é a desmistificação do assunto em todos os âmbitos, adesão geral às campanhas e que isso não tenha visibilidade alta em um mês específico, como acontece em setembro, o Setembro Amarelo”

Ana Maria ressalta também a necessidade de maior integração do Poder Público com as Entidades Não Governamentais que pode trazer mais eficiência para a tratativa deste caso de Saúde Pública. 

“As ações de prevenção devem fazer parte de todos os diferentes espaços, para gerar maior a conscientização sobre a importância do autocuidado e da escuta daquele que precisa falar de suas angústias, bem como motivar as pessoas a procurarem ajuda, a falarem dos próprios sentimentos”, esclarece. 

Brasileiro demora 39 meses para procurar ajuda para depressão

Agência Brasil

Brasileiros demoram, em média, 39 meses – ou seja, 3 anos e 3 meses – para procurar ajuda médica para tratamento de depressão. O dado faz parte de um levantamento realizado pelo Instituto Ipsos, a pedido da empresa farmacêutica Janssen, que ouviu 800 pessoas com ou sem relação com a depressão de 11 estados brasileiros.

Apesar de os pensamentos suicidas terem incomodado cerca de 4 em cada 10 respondentes antes de buscar o diagnóstico, a demora em procurar ajuda especializada ocorreu, principalmente, pela falta de consciência de se tratar de uma doença (18%), por resistência (13%) e medo do julgamento, da reação dos outros ou vergonha (13%).

 5 dicas para família e amigos que podem ajudar

Atualmente, a depressão é considerada uma emergência psiquiátrica devido a sua relação com casos de suicídios e tentativas de autoextermínio. Para a psicóloga Mariana Bergor, o tratamento para a pessoa que já tentou ou tem ideação suicida é multiprofissional, com psiquiatra e psicólogo. Mas, a rede de apoio dos familiares e amigos é fundamental. Por isso ajudar quem passa por este tipo de problema. Confira.

01. Saiba reconhecer os sinais: estar atento às alterações no comportamento, se a pessoa está tendo prejuízos na vida social, profissional ou escolar. 

02. Ofereça seu apoio e ajuda. 

03. Ouça sem julgar, responda com gentileza e cuidado. 

04. Faça do bem-estar mental uma prioridade em sua vida. 

05. Acredite que a recuperação é possível e seja uma pessoa a favor da vida!

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia