Coronavírus

A obesidade pode agravar os casos de COVID-19

Casos subnotificados de obesidade no tratamento de covid-19 apresentam complicações e tem resposta vacinal comprometida

diario da manha
Priscilla Nielsen, uma técnica médica de emergência avançada da Autoridade De Fogo Unificado, usa um traje COVID-19 na Estação 126 em Midvale na quinta-feira, 19 de março de 2020.

O que a COVID-19 ensinou sobre obesidade e síndrome metabólica? Este é um dos temas do 34° Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2020), que acontece em Brasília, entre os dias 1 e 5 de dezembro, e que pela primeira vez será virtual.  

A miniconferência sobre a relação entre o Novo Coronavírus e a Obesidade será ministrada pelo endocrinologista Marcio Mancini, do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP. Na palestra, Mancini vai apresentar dados sobre internações e mortes de pacientes obesos pela COVID-19. Além disso, o especialista ressaltará a importância da obesidade ser descrita no documento de alta do paciente, assim como no atestado de óbito. “Temos um problema grande de subnotificação de obesidade nesta pandemia. Muitos médicos que não são da área, na hora de preencher as informações, tanto de alta como de óbito, só colocam o código usado para pessoas obesas, quando elas têm 150 quilos ou mais. Mas pessoas obesas também são aquelas que têm mais de 90 quilos ou IMC superior a 30. Isso dificulta na hora das pesquisas. Sabemos que nesta pandemia as internações graves, mais de 50%, são de pessoas obesas”, revela Mancini.

Ainda segundo o médico, no corpo de pessoas obesas, o vírus se comporta de maneira diferente. “O vírus entra na célula do corpo humano através de um receptor muito presente no tecido adiposo. As pessoas com obesidade acabam tendo quantidade maior de vírus circulante, pois a gordura vira um reservatório para o vírus. Além disso, a obesidade confere ao indivíduo uma inflamação subclínica, que não é dolorosa e não causa sintomas. Isso se junta à inflamação causada pelo vírus e leva a um quadro inflamatório grave que atinge vários órgãos e leva ao óbito”, explica o endocrinologista.

Uma preocupação entre os pacientes obesos é sobre a vacinação. Marcio Mancini explica que a vacina pode não ser tão eficaz, quanto em outros grupos. “Existem indícios de outras infecções nas quais, as pessoas com obesidade, apresentaram resposta vacinal comprometida. Isso é uma dúvida que não sabemos responder ainda. Portanto, nosso aconselhamento é que as pessoas obesas devem ter cuidado redobrado com a higiene e o distanciamento social”, alerta.

Segundo o médico é importante que pessoas acima do peso estejam atentas à imunidade. “Existe um pensamento de que quanto mais se come, mais o sistema imune se fortalece. Isso não vale para pessoas que já são obesas. Pelo contrário, na pandemia é fundamental que esses pacientes intensifiquem a dieta para reduzir tecido adiposo e com isso diminuir os riscos, caso haja uma possível infecção”, conclui Márcio Mancini.

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