Coronavírus

Empresas brasileiras distribuem "Kit covid" aos funcionários

Segundo os cientistas, o conjunto de medicamentos são comprovadamente ineficazes para a Covid-19 e pode causar danos à saúde.

diario da manha

Empresas brasileiras estão distribuindo “Kit Covid”, aos funcionários. O conjunto de medicamentos são comprovadamente ineficazes para a Covid-19.

Pelo menos quatro empresas foram encontradas fazendo isso em São Paulo, no Pará e em Santa Catarina. (Tecnocuba, Zanotti Elásticos, GTFoods e Casas Kurten). Em uma delas houve até palestra de uma médica sobre o chamado “tratamento precoce”.

“A decisão foi da diretoria porque a gente acredita no tratamento e faz o tratamento. Queremos fazer pelos nossos funcionários a mesma coisa que a gente faz para a nossa família”, diz Giselle Rêgo, diretora industrial da Tecnocuba, que produz peças de aço inoxidável em São Paulo. O “tratamento precoce” foi oferecido a todos os 105 funcionários.

O suposto tratamento precoce refere-se à uma combinação de medicamentos ineficazes ou ainda em estudos, contra a Covid-19 como hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, vitamina D, vitamina C, entre outros, que podem trazer efeitos colaterais.

Segundo os cientistas e chefes de hospitais, esses medicamentos além de não ajudar na prevenção e tratamento do novo coronavírus, pode causar danos à saúde.

No entanto mesmo após um ano de pandemia no Brasil e com mais de 314 mil mortes pela doença, o presidente da República Jair Bolsonaro, recomenda o “tratamento precoce”.

O mês de março já registrou quase o dobro das mortes de julho de 2020, considerado o mais legal da pandemia. Nas últimas 24 horas o Brasil registrou 3.668 mortes pela doença.

Recentemente o G1 mostrou que a Prevent Senior, uma das maiores operadoras do país, segue distribuindo o “Kit Covid” aos clientes, até mesmo para os que estão assintomáticos.

Chefes de Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), de hospitais de referência no Brasil, afirmam que isso tem contribuído para aumentar o número de mortes no país.

Uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, revelou que pacientes já morrerem ou foram para filas de transplante de fígado por causa do uso do “kit covid”.

Segundo os especialistas, remédios apresentados como cura, acabam roubando o crédito do que foi uma melhora natural, porque a maior parte das pessoas que contraem a Covid-19 se recuperam.

De acordo com o advogado trabalhista Sergio Batalha, empresas distribuírem o “kit covid” aos funcionários ou bancarem o chamado “tratamento precoce” é imprudente e ilegal, uma vez que o empregador não pode fazer nada que coloque a saúde do empregado em risco.

“Distribuindo o kit, o empregador pode causar efeitos colaterais na saúde do trabalhador, dar a falsa sensação de segurança para ele, fazendo com que não se cuide adequadamente e contraia o vírus, e fazer com que ele demore a buscar ajuda em um hospital caso contraia a doença”, afirma.

“Na prática, está pondo em risco a saúde de seu empregado, além de se associar a uma prática que beira o curandeirismo.”

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