Coronavírus

Kit covid é apontado como responsável por mortes de pacientes

O 'tratamento precoce', defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, levou pacientes para fila de transplante de fígado e ocasionou três mortes

diario da manha
Foto: Reprodução/ 3 de julho notícias

O Kit covid defendido pelo presidente Jair Bolsonaro para o “tratamento precoce” da Covid-19 está sendo apontado por profissionais da saúde como responsável por causar mortes e destruição do fígado de pacientesOs medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, teriam levado cinco pacientes à fila do transplante de fígado em São Paulo, além de causar ao menos três mortes por hepatite.

Segundo uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo nesta terça-feira (23) os médicos relatam que entre os sintomas observados estão hemorragias, insuficiência renal e arritmias.

Os sintomas foram observados justamente em pacientes que fizeram uso de desses fármacos, que incluem hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e anticoagulantes. Desses remédios presentes no kit Covid, um dos que apresenta efeitos mais nefastos é a ivermectina.

De acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF) os medicamentos tiveram um aumento de vendas exponencial durante a pandemia. Em 2020 por exemplo, a ivermectina subiu 557% se comparado a 2019, sendo dezembro o mês recordista de vendas da droga.

Com eficácia não comprovada no tratamento da Covid-19, o medicamento é indicado para tratar sarna e piolho. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) desaconselhou o uso do remédio no tratamento do coronavírus, além disso, o próprio fabricante do produto, a Merck, não recomendou o uso.

Os médicos afirmaram que o produto é um dos que foram utilizados pelos cinco pacientes que entraram na fila de transplante de fígado. Algumas semanas antes, essas pessoas foram diagnosticadas com covid e receberam a prescrição do chamado “tratamento precoce”, segundo a reportagem.

Além de duas mortes de pacientes do HC-USP, um óbito por doença hepática aguda foi registrado em uma unidade particular de Porto Alegre. Conforme os profissionais, as biópsias do fígado dos pacientes que estão na fila de transplante de fígado evidenciam que os casos são de origem medicamentosa e não complicações do próprio coronavírus. 

“A covid pode atacar o órgão, mas de uma forma diferente. Ela causa pequenos trombos (coágulos) nos vasos. Esse padrão que encontramos é de lesão por medicamentos”, explicou Ilka Boin, professora da Unidade de Transplantes Hepáticos do Hospital das Clínicas da Unicamp.

*com informações do jornal Estado de S. Paulo.

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