Coronavírus

Negacionistas da área da saúde se negam a tomar a vacina contra Covid-19

Estudo revela que 8% dos brasileiros não pretendem se imunizar com nenhuma das vacinas contra a Covid-19

diario da manha
Imagem da vacina Pfizer. Ontem (26) chegaram 629 mil doses no país.

Alguns da profissionais de saúde, considerados negacionistas, decidiram não se vacinar contra a Covid-19. Mesmo que esse grupo trabalhe na linha de frente no enfrentamento da pandemia no país, eles decidiram que não irão tomar os imunizantes.

Para os negacionista a vacina não tem eficácia, e eles acreditam que o remédio cloroquina é a melhor opção. Porém diversos estudos comprovaram a eficácia das vacinas, além de ser autorizada pela Anvisa. Por outro lado, a cloroquina, só prejudica ainda mais a saúde do paciente contaminado, e ainda não tem estudo cientifico comprovando a eficácia.

Pedro Alberto tem 46 anos, trabalha como técnico em imobilização ortopédica em um hospital particular na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, ele Já deveria ter tomado ao menos a primeira dose de alguma das vacinas contra o coronavírus em uso no país. Pela profissão e pela idade ele poderia ser imunizado, contudo, Pedro não quis tomar.

Pedro se recusa a tomar a vacina por diversas razões. Uma delas ele ressalta que não confia na eficácia de nenhum dos imunizantes disponíveis hoje (Coronavac, AstraZeneca e Pfizer). Em uma entrevista feita pelo telefone, ele exclamou: “Por que vou tomar vacina se existe um medicamento recomendado pelo presidente da República?”

Para ele, todo esforço nacional pela vacinação não passa de uma “armação para se gastar mais recursos públicos”.

“Para que gastaram tanto dinheiro com vacinas? O (presidente) Bolsonaro já viu com médicos que a cloroquina é eficaz. Diversas autoridades e pessoas públicas tomaram quando pegaram Covid e se curaram”. disse Pedro.

Pedro faz parte de um grupo de profissionais de saúde que se nega a tomar a vacina, mesmo trabalhando diariamente atendendo a milhares de pessoas em hospitais e assistindo de perto à triste realidade do avanço da Covid-19 no país.

Em um hospital em Londrina no Paraná, 10 de 400 profissionais da saúde se recusaram a tomar o imunizante, dois deles morreram ao contraírem a doença. Em alagoas uma médica também foi vítima da Covid-19, (pela segunda vez), ela também se negou tomar a vacina.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade, “que quem optar por não receber as doses da vacina contra a Covid-19 deverá sofrer punições ou medidas restritivas”.

O caso da auxiliar de limpeza de um hospital, no ABC paulista, retrata isso. Ela foi demitida, por justa causa, após se recusar a tomar a vacina. Ela até tentou recorrer a decisão judicial, mas não teve sucesso.

Para a advogada especialista em direito do trabalho e direito empresarial, Thaluana Alves, a decisão foi correta, pois:

“Não existe a opção de não se vacinar. Ele pode prejudicar a coletividade pública. Poderá ser demitido com base no artigo 482 da CLT: incontinência de conduta e perda dos requisitos estabelecidos para o exercício da profissão”, explica Thaluana.

Além disso o juiz afirmou: “a necessidade de promover e proteger a saúde de todos os trabalhadores e pacientes do hospital, bem como de toda a população, deve se sobrepor ao direito individual da autora em se abster de cumprir a obrigação de ser vacinada”.

Pedro, contudo, disse não se importa com a obrigatoriedade imposta pelo STF. “Não tomaria e pediria para me demitir”. Para ele, a vacinação só seria uma opção caso o governo ressalte a eficácia. “Se o governo federal se responsabilizasse, garantisse a eficácia, aí, sim, eu tomaria a vacina. Aí, sim, seria confiável”.

Uma pesquisa feita pelo jornal Folha de São Paulo divulgou que, 8% dos brasileiros não pretendem se imunizar. 91% da população manifestam-se a favor da vacinação e 1% não prefere opinar.

O Ministério da Saúde diz, em nota, que trabalha para reforçar “a importância da vacinação para Covid-19 e orienta para que as pessoas que fazem parte do público prioritário da campanha busquem os postos de vacinação”. O órgão não revelou dados oficiais sobre a quantidade de profissionais da categoria que já se negaram a tomar algum dos imunizantes, mas informou que os casos tem aumentado.

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