Coronavírus

Mortes por Covid -19: famílias compartilham a mesma dor

Familiares, amigos, colegas e conhecidos compartilham o luto da despedida que há um ano segue novos protocolos determinados pelo Ministério da Saúde

diario da manha
Foto: Reprodução

O Brasil já ultrapassou a marca de 400 mil mortes em decorrência da Covid-19. Diariamente, os óbitos são noticiados pelas mídias, e o sentimento é de um luto compartilhado entre famílias de todo país que perderam um ente por conta da doença. São histórias de sonhos interrompidos, planos não realizados e toda uma trajetória de vida que tinha tudo para ter um final de feliz.

Familiares, amigos, colegas e conhecidos compartilham o luto da despedida que há um ano segue novos protocolos determinados pelo Ministério da Saúde, com distanciamento, limitação de participantes, além da urna totalmente lacrada, sem ao menos dizer um último adeus, um sentimento de fraqueza, prepotência e de vulnerabilidade toma conta da pessoa, além de uma tristeza sem fim.

Na perda de um ente querido, principalmente quando este vem a óbito por decorrência da Covid-19, existe um grande risco potencial de um luto traumático. Não poder ver o ente pelos últimos momentos deixa a pessoa em estado de choque, onde ela mesma não quer acreditar que aquele corpo esta ali, naquele caixão.

Estima-se que 86% dos brasileiros perderam algum conhecido, seja membro da família, amigo próximo ou não tão próximo para a covid-19. Os dados são de um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados em parceria com o Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública da Universidade de Brasília.

O medo

As irmãs Thaynara Painha, 25 e Kamilla Painha, 30 , em junho do ano passado perderam o pai para a Covid. Na época, o vírus ainda não tinha tanta força como agora, mas ele já deixava medo e a incerteza por todo mundo.

”Meu pai realizou quatro testes rápidos, e nenhum testou positivo para a covid-19, devido a isso passamos alguns dias pelegrinando em hospitais e laboratórios para saber do que se tratava as fraquezas e dores que ele estava sentindo. Momento este que elevou nosso sofrimento e angústia. Por fim, o diagnóstico certo para a covid-19 veio apenas com o óbito dele, onde ele passou 5 dias internado em estado grave”, relata Kamilla.

”Ao saber que meu pai podia estar com Covid-19 foi apavorante, pois ele tinha um quadro de saúde que só podia piorar o caso dele. Mas tentamos manter nossa fé em Deus acreditando que tudo ficaria bem apesar de todo quadro de saúde não ser tão favorável a isso, mas nós orávamos a Deus incansavelmente clamando sua cura para que pudesse estar junto de nós novamente, nunca pensamos no pior pois confiávamos em nossa fé”, disse Thaynara.

A perda de um ente para a Covid-19

A psicóloga Márcia Maria, especialista em psicologia da saúde e hospitalar, comenta que a perda é um processo complexo em qualquer circunstância que ela ocorra. ”Porem quando se perde alguém para a Covid-19, a dor e angústia realmente se torna maior, uma vez que não acontece uma despedida, um velório, eventos religiosos, não ter a oportunidade de escolher a roupa adequada para esse ente ser sepultado, a família não pode ser amparada pelos amigos por causa dos riscos da doença”, ressalta a psicóloga.

Na pandemia presenciamos e até mesmo vivenciamos diversos tipos de luto, desde a liberdade, convívio social, mudanças nas relações de trabalho e escola, até as vidas ceifadas pela doença. Para a psicóloga, ”as milhares de mortes pela Covid-19 nos leva a um luto coletivo, onde sofremos pelas perdas de pessoas que nem conhecemos. O medo, a ansiedade e a angústia estão cada vez mais presente em nossas vidas, uma vez que não se tem previsão de quando tudo vai passar, se vai passar e como será depois, são muitas incertezas ainda”, disse.

Para as irmãs Kamilla e Thaynara, a confirmação da morte do pai foi o pior momento para elas. ”Em muitos momentos peguei me questionando o porque de ter acontecido com meu pai, mas temos que tentar compreender a vontade de Deus e pedir para que ele nos desse forças para continuarmos”, relata Thaynara.

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