Coronavírus

Sem vacinas, África alerta para terceira onda 'brutal'

Os números são desesperançosos: apenas 2,5% da população recebeu pelo menos uma dose da vacina - 1% está totalmente imunizada - e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS)

diario da manha
FILE - In this March 20, 2020, file photo, a boda-boda, or motorcycle taxi, driver wears a makeshift mask made from a local fabric known as Kitenge as he looks for customers in the Kibera neighborhood of Nairobi, Kenya. As Africa braces for a surge in coronavirus cases, its countries are far behind in the global race for medical equipment. Outbid or outmaneuvered by richer nations, jolting African officials to scramble for solutions and join forces, creating a pooled purchasing platform under the African Union to improve their negotiating power. (AP Photo/Patrick Ngugi, File)
Por Redação, O Estado de S.Paulo

“Não me interessa se as vacinas são do Covax ou de qualquer outro lugar. Tudo o que precisamos é acesso rápido a elas”, afirmou John Nkengasong, diretor do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, agência de saúde da União Africana. Deixada para trás na corrida mundial da imunização a África passa por uma terceira onda “brutal” em diversos países, alerta Nkengasong.

Os números são desesperançosos: apenas 2,5% da população recebeu pelo menos uma dose da vacina – 1% está totalmente imunizada – e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que apenas sete países africanos, a maioria pequenos, alcançarão a meta de vacinar pelo menos 10% de seus habitantes até setembro.

Enquanto a vacinação fica totalmente restrita, a África vê o número de infecções subir drasticamente. Em 23 de maio, a média móvel de casos em todo o continente foi de 9.684. Um mês depois, o número quase triplicou: 25.352, segundo dados do site Our World in Data, da Universidade Oxford.

“Deixe-me ser franco: na África, não estamos ganhando essa batalha contra o vírus”, disse Nkengasong, acrescentando que pelo menos 20 países estão no meio de uma terceira onda. Ele não citou todos, mas disse que Zâmbia, Uganda e República Democrática do Congo estão entre as nações que têm o sistema de saúde sobrecarregado. Dados do Our World in Data mostram que Libéria, África do Sul, Namíbia e Tunísia também enfrentam uma alta no número de casos de covid.

No Quênia, onde as infecções também estão subindo, os médicos temem que uma nova onda da pandemia, como a que afetou a Índia, possa estar se aproximando, segundo o New York Times. Recentemente, autoridades quenianas aconselharam políticos a evitarem eventos presenciais.

No entanto, as lideranças, incluindo o presidente, Uhuru Kenyatta, foram às ruas do condado de Kisumu, onde a variante Delta foi encontrada pela primeira vez, atraindo grandes multidões, com a maioria das pessoas sem máscara. Na última semana, mais de 23% da população testada na região teve resultado positivo – mais que o dobro da média nacional.

Há duas semanas, o número de mortes em 36 dos 54 países africanos cresceu 15%, segundo a OMS. Em Ruanda, a média de casos diários explodiu, passando de 78, em 23 maio, para 583, um mês depois. Recentemente, o país sediou a Liga Africana de Basquete e outros grandes eventos esportivos.

Na República Democrática do Congo, mais de 5% dos parlamentares foram mortos pela covid. Em Uganda, o presidente, Yoweri Museveni, impôs uma estrita quarentena de 42 dias para frear o vírus. A Tunísia já enfrenta uma quarta onda.

Na África do Sul, o país africano mais afetado pela pandemia, a média de casos diários quase triplicou em duas semanas. Em todo o continente, dos 5 milhões de novas infecções registradas desde o início da pandemia, cerca de 1 milhão de casos ocorreram apenas no último mês. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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