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Malária volta a fazer vítima em Goiânia

diario da manha

Uma morte e mais dois casos fazem a Secretaria Municipal de Saúde investigar surto da doença

Divania Rodrigues,Da editoria de Cidades

Uma mulher de 35 anos residente no Jardim América, em Goiânia, foi diagnosticada com malária e veio a óbito ontem. Além deste, foram confirmados mais dois casos da doença, em pai e filho que residem no Jardim Goiás. No ano passado, um surto afetou frequentadores do Parque Flamboyant, fazendo sete pessoas doentes confirmados.

Conforme a diretora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Flúvia Amorim, o surto atual de malária não tem nenhuma relação com o de 2014. “Apesar de morar no Jardim Goiás, pai e filho não frequentavam o Parque Flamboyant há pelo menos três meses”, esclarece o motivo de a hipótese ter sido descartada.

De acordo com ela, a região de residência das vítimas é também propícia a presença do anopheles, o mosquito transmissor da doença, que pode ser encontrado em várias áreas de Goiânia. Porém, só transmite malária mosquito portador de protozoários da doença.

O caso da mulher ainda está sendo investigado e não há identificação do local provável de infecção. Para o caso de pai e filho, o local provável é o setor Jardim Goiás, nas proximidades de sua residência. Uma das vítimas já recebeu alta, a outra segue hospitalizada.

De acordo com Flúvia, a Secretaria de Saúde está procurando por possíveis novas vítimas, realizando borrifação para reduzir a fauna de mosquitos que estejam infectados e utilizando larvicida para diminuir a população de anopheles. Para ela, uma vantagem do transmissor da doença é que ele está restrito a áreas verdes, não entrando nas casas.

Ainda como medida para vencer a doença, foi realizado um alerta epidemiológico para os profissionais de saúde, com instruções para o manejo de casos suspeitos de malária.

Em 2014, foram confirmados 40 casos de malária em todo estado, de acordo com dados da secretaria de saúde. Destes, 11 eram nativos de Goiás, 15 eram importados de outros estados e 14 outros países. Em 2015, foram confirmados dois casos com local provável de infecção o Estado – dois estão em investigação, um deles atendido em Samambaia-DF – três são de outros estados e dois de outros países.

 

Malária

O infectologista Boaventura Braz de Queiróz explica que a malária é uma doença transmitida pelo mosquito anopheles, popularmente conhecido como mosquito-prego. “É na picada do mosquito que os parasitas são inoculados”, conta.

Entre a picada do mosquito e a apresentação dos sintomas, pode haver um intervalo entre sete e 180 dias, mas a média geral manifesta os sinais de duas semanas a 60 dias. Os principais sintomas são febre com calafrios intensos (sintoma típico da doença), mal-estar geral, dor de cabeça e no corpo e falta de apetite.

Ainda não existe vacina contra a malária, mas há medicamentos para o tratamento da doença. Para o infectologista, em Goiânia, pode ter havido dificuldades no diagnóstico por essa não ser uma doença comum e durante as análises, essa possibilidade não foi cogitada como prioritária.

 

Drogas alternativas e vacina  estão em desenvolvimento

No último ano, o Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz) divulgou que está desenvolvendo drogas alternativas e uma vacina contra a malária. O anúncio foi realizado por Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do laboratório e presidente da Federação Internacional de Medicina Tropical e Malária, no Dia Mundial da Luta contra a Malária, 25 de abril. Ainda não há previsão para o lançamento das substâncias.

Na época, a experimentação estava sendo realizada em primatas. De acordo com o pesquisador, em cerca de dez anos seria possível uma vacina que fosse totalmente eficaz contra a doença. Para ele, o tratamento atual disponível é bom, mas ressalta que em cidades fora da Amazônia, onde os casos são mais comuns, não há diagnóstico rápido e por isso apenas 19% dos casos são tratados nos primeiros dias da doença.

Ainda esclareceu que os viajantes devem tomar cuidado para não reintroduzir a doença em seu local de origem, depois de viagem por locais de infecção, porque um caso pode acarretar uma epidemia de dez até 100 pessoas. Cláudio ainda aponta que quando a malária é diagnosticada e tratada na Amazônia, a pessoa tem 100 vezes menos chance de morrer do que fora da região, agravando a situação.

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