Cotidiano

TDPM afeta 5% das mulheres

Disfunção altera o humor drasticamente, o que pode incapacitar temporariamente o trabalho e o convívio social

Marcelo Mendes Da editoria de Cidades

“Sempre sinto antes da menstruação. Fico mais sensível, chorona durante o período. Ao final do período fico muito nervosa. Sinto muita dor de cabeça e meu humor muda totalmente. Sinto esses sintomas desde os meus 13 anos. Procurei o médico e ele me receitou calmante.” Essa é a realidade vivida por Ludmilla Borges Rodrigues, 26 anos, vendedora. Ela é uma das vítimas do pouco conhecido Transtorno Disfórico Pré-menstrual (TDPM).
A famosa TPM todo mundo já conhece, que é a tensão pré-menstrual. Mas o TDPM você conhece? O chamado transtorno disfórico pré-menstrual se trata da alteração de humor de maneira drástica que pode incapacitar a mulher de manter sua rotina de trabalho e ainda pode comprometer o convívio social e afetivo.
Estudos mostram que cerca de 75% das mulheres que estão em período pré-menstrual apresentam os sintomas. Porém, 10% das mulheres realmente possuem sintomas considerados perturbadores, que exigem o acompanhamento de um profissional de saúde. Deste percentual, de 2% a 8% das mulheres sofrem sintomas agudos que são suficientes para desequilibrar o sistema emocional, cognitivo e físico, durante o período menstrual. Esses sintomas são cíclicos, iniciam aproximadamente 7 a 10 dias antes da menstruação e cessam logo após menstruar.

Sintomas
Para o médico ginecologista e obstetra Jurandir Piassi Passos, que é gestor do Setor de Medicina Fetal do Laboratório Atalaia e médico assistente da Escola Paulista de Medicina – Unifesp, os principais sintomas são: humor deprimido, ansiedade acentuada, instabilidade afetiva e raiva ou irritabilidade persistente. Mas outros sintomas secundários também são percebidos, como: interesse diminuído pelas atividades habituais; sentimento subjetivo de dificuldade em se concentrar; letargia; fadiga fácil ou acentuada falta de energia; alteração acentuada do apetite, excessos alimentares ou avidez por determinados alimentos; hipersonia ou insônia; sentimentos subjetivos de descontrole emocional; outros sintomas físicos, como sensibilidade ou inchaço das mamas, dor de cabeça, dor articular ou muscular, sensação de inchaço geral “e ganho de peso”; os sintomas devem interferir ou trazer prejuízo no trabalho, na escola, nas atividades cotidianas ou nos relacionamentos.
O obstetra explica que a TDPM pode acometer mulheres desde a primeira menstruação até a menopausa, mas normalmente afeta mulheres que estão a partir da segunda década de vida, e que não há um grupo de risco específico.
O especialista define que o tratamento pode exigir o uso de antidepressivos, por isso há a necessidade da procura de um profissional devidamente habilitado. “O tratamento vai estar diretamente ligado à sintomatologia apresentada pela mulher, pois pode ser necessário utilizar desde um antidepressivo quando a sintomatologia depressiva é dominante quanto a ansiolítico quando a ansiedade e a raiva são predominantes. Por isso é muito importante que a mulher procure o seu ginecologista para que o diagnóstico correto seja realizado o mais breve possível a fim de diminuir os efeitos deletérios na sua vida.”

Principais sintomas da TDPM

A. Os sintomas devem ocorrer durante a semana anterior à menstruação e reduzem poucos dias após o início desta. Cinco dos seguintes sintomas devem estar presentes e pelo menos um deles deve ser o de número 1, 2, 3 ou 4:

1. Humor deprimido, sentimentos de falta de esperança ou pensamentos autodepreciativos.
2. Ansiedade acentuada, tensão, sentimentos de estar com os “nervos à flor da pele”.
3. Significativa instabilidade afetiva.
4. Raiva ou irritabilidade persistente e conflitos interpessoais aumentados.
5. Interesse diminuído pelas atividades habituais.
6. Sentimento subjetivo de dificuldade em se concentrar.
7. Letargia, fadiga fácil ou acentuada falta de energia.
8. Alteração acentuada do apetite, excessos alimentares ou avidez por determinados alimentos.
9. Hipersonia ou insônia.
10. Sentimentos subjetivos de descontrole emocional.
11. Outros sintomas físicos, como sensibilidade ou inchaço das mamas, dor de cabeça, dor articular ou muscular, sensação de inchaço geral “e ganho de peso”.
B. Os sintomas devem interferir ou trazer prejuízo no trabalho, na escola, nas atividades cotidianas ou nos relacionamentos.
C. Os sintomas não devem ser apenas exacerbação de outras doenças (depressão preexistente, por exemplo).
D. Os critérios A, B, e C devem ser confirmados por anotações prospectivas em diário durante pelo menos dois ciclos consecutivos.

Fonte: American Psychiatric Association

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