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Aluno faz brincadeira com redação do Enem e não é reprovado

Jovem diz que não é justo sair bem na prova e outros terem notas pior do que ele no certame

diario da manha
Trecho em destaque: "Esse tipo de propaganda no Brasil é permitido, são proibidos em alguns países porque a propaganda infantil é vista como atração de crianças a despertarem um querer pelo produto proposto. Que tem essa finalidade porque é meu niver"(Foto: divulgação)

 

Tom Carlos

A avaliação das redações no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costuma ser realizada a partir de um check list criterioso. Os concorrentes mais jovens chegam mesmo a temer a avaliação, tamanho o terror do rigoroso olhar dos professores.

Mas o estudante Francinaldo Guedes Pereira, 16, teve outro comportamento. Resolveu escrever corretamente sua redação, mas bem no meio introduziu uma frase desconexa que remetia ao seu aniversário: “Esse tipo de propaganda no Brasil é permitido, são proibidos em alguns países porque a propaganda infantil é vista como atração de crianças a despertarem um querer pelo produto proposto. Que tem essa finalidade porque é meu niver”.

Quando acessou o espelho da redação de 2014, ele teve um susto: obteve 600 pontos. O adolescente reconheceu a brincadeira e disse que não foi justa a nota, já que outros candidatos “se dedicaram” mais do que ele.

Na prova, Francinaldo teve as mesmas pontuações em cada avaliação da redação: 120 pontos.

Para o jovem, o correto seria que o Enem anulasse sua prova. Afinal, no edital, é informado uma regra taxativa: “A redação que apresente parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto será considerada nula”.

Foi exatamente o que aconteceu na prova. Apesar da brincadeira de Francinaldo ser bastante sutil, o erro dos avaliadores do Enem se mostra claro.

O estudante tem afirmado que o erro que aconteceu com ele deve se repetir com vários outros.

Francinaldo é morador de Aguiar, município do Sertão da Paraíba. Ele pretende cursar sistemas de informação ou jornalismo. E garante que nas próximas avaliações pretende ser rigoroso e não brincar com a prova, mas espera ter uma avaliação justa.

“Dentre milhões de redações há poucos corretores. Sendo passado despercebido esse meu erro, é quase certeza ter erros em todas as edições do exame”, disse o garoto.

 

RESPOSTA

Francisco Soares, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (Inep), afirmou que o sistema de correção das provas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) funcionou no caso do estudante paraibano.

“Ele colocou essa frase, que não está descontextualizada. Isso que está aqui não pode ser corrigido como se fosse descontextualizado. Esse aluno agiu dessa maneira. Agora, o sistema funcionou, a sociedade pode ter segurança de que nós estamos corrigindo as redações através de um sistema confiável. Quando corrigimos, estamos tranquilos”, explicou ele.

Trecho em destaque: "Esse tipo de propaganda no Brasil é permitido, são proibidos em alguns países porque a propaganda infantil é vista como atração de crianças a despertarem um querer pelo produto proposto. Que tem essa finalidade porque é meu niver"(Foto: divulgação)
Trecho em destaque: “Esse tipo de propaganda no Brasil é permitido, são proibidos em alguns países porque a propaganda infantil é vista como atração de crianças a despertarem um querer pelo produto proposto. Que tem essa finalidade porque é meu niver”(Foto: divulgação)

Notas da redação

1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;

2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema;

3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;

4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;

5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

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