Após novos casos de violência em Niterói, Beltrame se reúne com prefeito da cidade

Rodrigo Neves subiu o tom das críticas à política de segurança e defende batalhão exclusivo para a cidade

RIO – Após uma sucessão de casos de violência registrados em Niterói na última semana, o prefeito, Rodrigo Neves, se reunirá, na tarde desta quarta-feira com o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame. Em entrevista ao O GLOBO, Rodrigo subiu o tom das críticas à política de segurança do estado para a região metropolitana. Contrariado com as declarações feitas pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, que afirmou, na terça-feira, que os índices de violência caíram em Niterói em maio, o prefeito disse que a sensação de segurança piorou na cidade.

Num ataque direto ao secretário, Rodrigo chegou a dizer que, desde que tomou posse como prefeito da cidade, em 2012, tem se sentido como “subsecretário estadual de segurança”, tamanha a quantidade de casos de violência que têm sido registrados na cidade.

— Eu discordo do secretário. Não adianta falar que os índices de violência diminuíram na cidade se a sensação de insegurança aumentou. Tenho me sentido como subsecretário estadual de segurança — disse o prefeito, sem disfarçar a irritação.

Rodrigo reivindica um batalhão exclusivo para Niterói, já que o 12º BPM divide o policiamento entre os municípios de Niterói e Maricá. O prefeito também pleiteia aumento de efetivo de PMs para o batalhão que conta hoje com 1033 homens, ante um total de mais de 1800 homens no início dos anos 2000. Apesar disso, nos últimos dois anos, a cidade já recebeu um incremento de um contigente de mais de 300 pms, além da instalação de quatro companhias destacadas.

— Eu reconheço que houve tentativas da secretaria de Segurança de ampliar o efetivo da cidade. No entanto, as ações feitas até agora foram insuficientes — afirma o prefeito.

Rodrigo destaca que seu governo já investiu R$ 30 milhões na área de segurança com ações como a reforma de cabines da PM, construção de companhias destacadas e de uma central de monitoramento de câmeras, com inauguração prevista para junho.

— Embora segurança não seja obrigação do município, a prefeitura tem sido parceira do estado e feito investimentos na tentativa de ajudar a polícia — alfineta o prefeito, que ainda pretende implantar um política de armamento dos guardas municipais de Niterói.

Após participar de uma reunião com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), na tarde terça-feira, Beltrame disse que estuda alternativas para melhorar o policiamento de Niterói, mas não confirmou quais seriam essas medidas.

— Eu sei que o prefeito está chateado, mas o fato é que as estatísticas de violência em Niterói caíram em maio. A cidade já recebeu aumento de efetivo e estou estudando alguma medida alternativa — afirmou o secretário, sem dar detalhes.

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