Cotidiano

Nova pesquisa relaciona esquizofrenia e presença de gatos

É o terceiro estudo a comprovar os mesmos resultados: 50,6% das pessoas que desenvolveram esquizofrenia tinham gatos na infância

diario da manha

 

Tom Carlos

Se você tem gatos em casa, um alerta: estudo publicado pela revista científica Schizophrenia Research apresenta forte ligação entre crianças que crescem em famílias com gatos e o desenvolvimento da esquizofrenia,  transtorno mental severo e complexo que dificulta a distinção entre as experiências reais e imaginárias. A doença interfere no pensamento lógico e comportamento  social.  Conforme o estudo, já existem pesquisas anteriores que apresentam o mesmo resultado: a convivência de crianças com gatos seria um possível fator de risco para o desenvolvimento posterior da esquizofrenia ou outro transtorno mental grave.

A pesquisa recente chegou aos mesmos resultados. As crianças desenvolvem doenças mentais graves quando têm maior contato com gatos. A explicação é ainda uma incógnita. E o grupo investiga a presença do parasita Toxoplasma gondii no cérebro dos pesquisados. Os investigadores pedem que mais pesquisas sejam feitas para comprovar os riscos.

Em números, o estudo descobriu que 50,6% das pessoas que desenvolveram esquizofrenia tinham gatos na infância. O resultado seria similar aos achados em estudos de 1990 (50,9% e 51,9%).

A pesquisa abrange um grande base de dados. Fuller Torrey e Wendy Simmons, do Stanley Medical Research Institute, e Robert H. Yolken, do Stanley Laboratory of Developmental Neurovirology, analisaram 1.982 questionários que não haviam sido revisados anteriormente. Ao total, 2.125 famílias, que pertenciam ao Instituto Nacional de Doença Mental dos EUA, foram analisadas.

Os pesquisadores alertam: é uma ligação e não uma relação direta. É preciso realizar maiores estudos com o parasita Toxoplasma gondii, responsável pela doença toxoplasmose. Em outras pesquisas, o protozoário é coadjuvante em várias doenças mentais.

“Toxoplasma gondii chega ao cérebro em forma de cistos microscópicos. Achamos que, em seguida, torna-se ativo no final da adolescência e cause a doença ao afetar, provavelmente, os neurotransmissores”, comentou Torrey em entrevista ao jornal Huffington Post.

Os pesquisadores informam ainda que além da esquizofrenia, o parasita estaria relacionado aos abortos espontâneos, transtorno de desenvolvimento fetal, cegueira e em morte, de acordo com dados publicados na revista Times. Não existem estudos no Brasil neste sentido.

Comentários