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Cufa quer transformar favelas em bairros no Brasil e no mundo

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

A Central Única das Favelas (Cufa) promove, de 12 a 18 deste mês, em Nova York, a Semana Cufa Global, cujo destaque é o lançamento, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), das linhas gerais de um projeto que tem como foco a transformação das comunidades em bairros. Em Nova York, onde já existem representações em alguns bairros, como o Harlem e o Bronx, a Cufa está abrindo um escritório global, que centralizará as ações dos 17 países onde a organização não governamental (ONG) está presente.

Haverá atividades culturais, esportivas e sociais na sede da ONG, em Nova York. “E se der certo, a gente passa a fazer essa intervenção em outras cidades do mundo”, disse à Agência Brasil o fundador da Cufa, Celso Athayde. No ano que vem, a meta é promover a Semana Cufa Global em Londres, Inglaterra.

Athayde pretende fazer o lançamento, durante o evento em Nova York, da Favela Holding, que é uma ‘holding’ social de favelas. Trata-se de um empreendimento que tem ações e parcerias com diferentes empresas que atuam, ou querem atuar, nas comunidades. A Cufa reforçará, na ocasião, a importância de outras ações promovidas em favelas, não só no Rio de Janeiro, mas em diversos estados brasileiros. Em 2016, a Cufa deverá abrir escritório no Paquistão, anunciou Athayde.

O fundador da ONG afirmou que, por meio da ONU, a Cufa entendeu ser mais fácil estabelecer diálogo com favelas de outros países. “Automaticamente, a gente passaria a ter uma relação mais próxima com as Cufas de outros países”. A ideia não é só exportar e democratizar o acesso internacional à tecnologia social da Cufa, única no mundo, “mas também trocar e aprender um pouco com outros países. A gente entende que quanto mais as favelas se comunicarem, mais soluções a gente vai encontrar a partir das experiências de cada um”.

Para Athayde, essa é a receita para colocar na pauta problemas globais que, muitas vezes, apresentam soluções comuns. “A gente pode inspirar, para o Harlem, soluções que encontramos no Complexo do Alemão, e vice-versa”. Para isso, observou, essas pessoas precisam ser conectadas.

O encerramento da Semana Cufa Global será na ONU, no dia 18 de setembro, durante a assembleia geral da instituição. A Cufa apresentará um projeto das favelas de 17 países, com metas objetivas de educação, com a proposta de erradicação do analfabetismo nas comunidades, e de soluções alternativas para mulheres, homossexuais, deficientes, jovens moradores nesses territórios. “A favela não se desenvolve porque ela não tem o que cobrar”, disse Athayde. Ele defente que haja maior informação para os moradores de favelas, para que entendam o que é e o que significa, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento Humano de sua região e a importância que isso tem para o crescimento sociocultural e econômico da população.

As metas que estão sendo estabelecidas visam que as favelas passem a ser consideradas bairros. O projeto terá de ser legitimado pelas favelas do país. Serão feitas audiências públicas sobre a proposta nos 27 estados brasileiros. Segundo Athayde, as metas serão definidas para os próximos dez anos, no período de 2016 a 2026. “Ele deixa de ser um projeto da Cufa e passa a ser um projeto à disposição daqueles que concordarem. Se um prefeito ou um governador assinar, eles precisam perseguir essas metas, e as favelas precisam pressioná-los para que as metas sejam perseguidas”.

As especificações do projeto serão discutidas pela Cufa em parceria com universidades, como a Universidade de Columbia, Estados Unidos, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de intelectuais e “notáveis do asfalto e da favela”. As soluções deverão ser apresentadas até o início de 2016.

Um dos focos é que favelas até 30 mil habitantes devem ter um cinema e um campo iluminado. “Enquanto isso não existir, não está resolvido. Quando a gente alcançar as metas para os próximos dez anos, aquele lugar deixa de ser favela e passa a ser bairro, com infraestrutura básica”, afirmou. Athayde destacou, porém, que transformar-se em bairro não significa que a comunidade seja boa ou ruim, mas que pode ter medidas a perseguir.

Editor Maria Claudia

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