Cotidiano

Saudemos o cacau!

Hoje é o Dia do Cacau, amanhã a Páscoa. Então, motivos não faltam para mergulhar sobre a história deste alimento cheio de simbologia e que movimenta a economia e encanta o paladar

diario da manha

 

Independente de religião, principalmente hoje e amanhã,  muita gente deve estar pensando em um certo doce amarronzado, que derrete na boca –  e que virou mania mundial – por pelo menos dois motivos. O primeiro é que este domingo é de Páscoa. O segundo é porque neste sábado – coincidentemente – se comemora o Dia do Cacau. Logo, é impossível não falar, comer ouvir chocolate nos próximos dias.

Desde 2005 estas datas – Páscoa e Dia do Cacau – não caiam tão próximas assim. Por isso, lembraremos nesta matéria porque as duas celebrações devem ser deliciadas com esta iguaria feita de açúcar, leite e cacau e que cabe muito bem com amêndoas, frutas, castanhas, mousse e muito muito mais.

Cacau faz bem!

Pode até parecer, mas uma data não tem absolutamente haver com a outra. O Dia do Cacau, por exemplo, – também é conhecido como o Dia do Chocolate, por motivos óbivios – foi instituído por um projeto de lei do deputado Athayde Armani, para discutir e encontrar soluções para os cacaueiros do Espírito Santo e da Bahia.

Sim, o cacau é coisa séria e acompanha a história – e movimenta – a economia deste País, desde o momento de sua  colonização. O clima tropical brasileiro ajudou: foi ideal para o plantio desta fruta, e gerou – e ainda gera – muitas riquezas aos grandes proprietários de terra. Inclusive, os barões que produziam a especiaria foram eternizados na dramaturgia e até na literatura de Jorge Amado.

Sendo assim, o Brasil – especialmente por causa da Bahia, onde está concentrado cerca de 90% do fruto – é o quinto produtor mundial de cacau, atrás dos países africanos, como:  Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões.

O cacau pelo mundo

Nativa das regiões tropicais da América Central, entre os Astecas e os Maias, por exemplo, o cacau era considerada uma planta dos deuses e era cercado por mitologias. Segundo a lenda, foi o deus asteca Quetzalcóatl quem presenteou os humanos com a semente de um fruto capaz de aliviar o cansaço, repondo as energias, e deu-nos, assim, a semente do cacau.

Os astecas sabiam mesmo reconhecer e admirar o cacau. Para começar, somente os sacerdotes podiam cultivar sua planta e, para consumi-lo, usavam exclusivamente taças de ouro, dentro de cerimônias religiosas.

Nesta época, a bebida que os astecas preparavam em seus cultos era amarga. Por isso, no requisito sabor, todo mérito pode ser dado à chegada dos espanhóis às Américas. Logo, o cacau foi exportado para Europa, que, aperfeiçoou – adicionando açúcar – à velha fórmula dos astecas. Vale lembrar que, nesta época, por ser uma fruta estrangeira, somente os nobres tinham acesso ao chocolate.

O que aconteceu depois todos nós sabemos: graças aos “deuses”, a especiaria se popularizou. Mas também se “gourmetizou” Mas também pode ser democrático, já que podemos aprecia-lo em um simples brigadeiro.

Na Páscoa?

Para falar da entrada do chocolate em forma de ovo, na maior festa cristã dos católicos – a Páscoa -, primeiro é preciso voltar muitos séculos, para depois saber de onde nasceu esta mania de presentear as pessoas queridas com chocolates na forma oval.

A prática de distribuir ovos decorados era um costume popular de antigas culturas espalhadas pelo Mediterrâneo, Leste Europeu e Oriente, em celebrações que geralmente celebravam a chegada da primavera. E, os ovos eram uma forma de adorar Ostera, a deusa da fertilidade, amor e do renascimento na mitologia anglo-saxã.

Ostera – que no alemã significa a Deusa da Aurora – explica muita coisa, já que sua figura era representada por uma mulher observavando um coelho saltitante, enquanto segurava um ovo nas mãos. E, o costume de saudá-la conseguiu atravessar gerações, os nobres da Idade Média, que, nesta época  decoravam ovos, bem à sua maneira: com pedras preciosas e até ouro.

Com toda simbologia da Páscoa, os ovos de chocolate movimentam um mercado milionário

De acordo com o historiador Rainer Sousa, em artigo publicado no site do Brasil Escola, a entrada do ovo e do coelho no conjunto de festividades cristãs, aconteceu com a organização do Concilio de Niceia, em 325 d.C.. “Neste período, os clérigos tinham a expressa preocupação de ampliar o seu número de fiéis por meio da adaptação de algumas antigas tradições e símbolos religiosos a outros eventos relacionados ao ideário cristão. A partir de então, observaríamos a pintura de vários ovos com imagens de Jesus Cristo e sua mãe, Maria”, explica.

O costume de dar ovos decorados era forte na Inglaterra, no reinado de Eduardo I. Contam que ele costumava banhar ovos em ouro e presentar seus súditos preferidos. Essas tradições inspiraram também Peter Carl Fabergé, que criou os famosos e valiosos Ovos Fabergé.

O chocolate entra na história

Os ovos de chocolate vieram das famosas padarias francesas, as Pâtissiers, que tiveram a ideia de esvaziar os ovos e depois recheavam com chocolate, finalizando com uma pintura por fora.

Aos poucos, o costume se espalhou mundo afora, e o mercado entranhou todas estas tradições, em um combo quase irresistível – e com preços salgados -, no qual um coelhinho fofo entrega para as crianças ovos de chocolate.

Os ovos de Páscoa, significam a renovação da vida

O costume, é de fato delicioso. Contudo, o que diversas culturas de diferentes épocas deixaram como herança, foi toda a simbologia que este momento de páscoa e, o próprio ovo traz à modernidade. “O ovo simboliza a vida nova que está dentro da casca. É como o túmulo que se abre e deixa que a vida floresça”, elucida o monge Marcelo Barros.

Ostera, a deusa da fertilidade, amor e do renascimento na mitologia anglo-saxã ajudou na simbologia dos ovos de Páscoa

 

 

Comentários

Mais de Cotidiano

3 de julho de 2019 as 15:11

Morre Wágner Nasser